Sem água, sem wc e vulnerável ao vírus. O campo de refugiados de Moria, três meses após o fogo

Uma voluntária portuguesa na Grécia conta à TSF as condições em que vivem os migrantes em Moria, três meses depois do grande incêndio que devastou o campo de refugiados da ilha.

Três meses depois dos incêndios que atingiram o campo de refugiados de Moria, na ilha grega de Lesbos, as condições no local não melhoraram. O fogo devastou o maior campo de refugiados da Europa, deixando sem qualquer apoio mais de 12 mil migrantes.

Do antigo campo, não resta muito. Está fechado e os migrantes foram colocados num espaço temporário. Mas se as condições em Moria já eram más, Inês Avelãs, voluntária numa organização não-governamental na ilha de Lesbos, garante que nada melhorou com o novo campo erguido após o incêndio.

"Eu diria que está pior, porque este [novo campo] é praticamente em cima do mar Até as primeiras filas de tendas tiveram de ser retiradas, porque o mar já lhes estava a chegar. O sítio é conhecido aqui em Lesbos por inundar", constata a voluntária portuguesa.

Também ao nível do saneamento e das condições básicas houve retrocessos. "Nem sequer há qualquer tipo de serviços sanitários. Dentro do campo, ainda não há acesso a chuveiros, a água é limitada e só há distribuição de duas refeições por dia", conta.

São condições difíceis que em nada ajudam no combate à pandemia de Covid-19. Inês Avelãs refere que os migrantes usam máscara dentro do campo, mas, "tirando isso, as medidas de proteção são praticamente inexistentes porque, não havendo água corrente durante todo o dia e não havendo separação entre as pessoas, fica complicado".

As autoridades gregas anunciaram, entretanto, a construção de um novo campo no norte da ilha, que não deverá ficar pronto antes do segundo semestre de 2021.

"Aparentemente, será num local em que não existe nada à volta, portanto, as pessoas estarão completamente isoladas e, de acordo com a informação que foi divulgada, também haverá restrições de entradas e saídas", adianta esta voluntária.

Inês Avelãs refere que, desde o incêndio, o número de migrantes em Lesbos diminuiu. Em setembro, estavam na ilha entre 12 mil a 13 mil requerentes de asilo. Agora são cerca de 7 mil.

Desde o mês de setembro, chegou a Portugal um total de 139 requerentes de asilo. De acordo com dados do Governo, 26 vieram da Grécia, os restantes chegaram de campos de refugiados na Turquia, Egito e Itália.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de