Tempestade destruiu escola mas professor Augusto ainda ensina 200 crianças guineenses
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Tempestade destruiu escola mas professor Augusto ainda ensina 200 crianças guineenses

Com três salas, por onde eram divididas as crianças que frequentavam o jardim-de-infância e a primária, os alunos estão agora circunscritos a duas salas, já que uma delas desabou devido à tempestade.

A tempestade sentida no início de junho na Guiné-Bissau provocou estragos, incluindo na aldeia de Com, onde a única escola foi parcialmente destruída, mas o professor Augusto Sami não desistiu e continuou a dar aulas aos alunos.

A tabanca (aldeia) de Com está situada no setor de Nhacra, a 30 km de Bissau, capital da Guiné-Bissau, mas não tem água canalizada, nem fornecimento de luz elétrica, tem apenas uma escola, doada por uma missão evangélica à comunidade, e que agora ficou destruída pelo mau tempo.

A escola é frequentada por 200 crianças, que têm contado com a ajuda e o esforço do professor Augusto Sami, que diariamente vem de Bissau para a "escola não fechar". "Não temos condições para a arranjar. A comunidade não tem dinheiro para arranjo, nem para pagar a escola dos filhos", disse o professor à Lusa.

Augusto Sami está a pensar fazer uma reunião com a comunidade para ver se "têm alguma coisa para apoiar" na reconstrução.

Com três salas, por onde eram divididas as crianças que frequentavam o jardim-de-infância e a primária, os alunos estão agora circunscritos a duas salas, já que uma das salas desabou devido à tempestade.

O que o professor quer é que a escola não feche. Ali, os alunos aprendem a ler, a escrever e a fazer contas na velha ardósia, que é apagada com mão.

Caso a escola seja encerrada "muitas crianças vão ficar sem aulas o que torna a comunidade pior, porque a escola é que ajuda as pessoas. Aqui precisam da escola para ter uma nova mentalidade para ajudar esta tabanca a avançar e a desenvolver", disse.

Para frequentar a escola os alunos deveriam pagar entre 800 e mil francos cfa por mês (entre 1,20 e 1,50 euros), mas os pais passam meses sem pagar a mensalidade e o professor meses sem receber salário.

"Todos os dias atravesso o rio para cá chegar e depois fico até à tardinha e volto para Bissau. Todos os dias gasto mil francos (1,5 euros) em transporte", afirmou Augusto Sami.

Questionado sobre como sobrevive sem dinheiro, o professor afirmou que recebe durante a campanha de comercialização do caju, quando a população tem mais dinheiro, e nos outros meses sai "à noite para ir pescar" e garantir comida em casa para a família.

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