Turquia investiga trabalhadores ligados à câmara de Istambul por "terrorismo"

O ministro do Interior garante que a investigação "não tem nada a ver com quem trabalha no município".

O Ministério do Interior turco está a investigar por "ligações terroristas" mais de 500 pessoas alegadamente vinculadas a associações ou empresas ligadas a órgãos municipais de Istambul, confirmou esta segunda-feira o titular da pasta, Suleyman Soylu.

O ministro negou tratar-se de um ato com motivações políticas contra o gabinete municipal, que desde as eleições municipais de 2019 está nas mãos do partido social-democrata CHP, da oposição, e assegurou que estas eram "medidas preventivas" contra suspeitos em setores de importância crítica.

"Não tem nada a ver com quem trabalha no município. Tem a ver com a luta contra o terrorismo e, portanto, somos obrigados a fazer soar o alarme na Turquia", disse Suleyman Soylu, citado pela agência turca Anadolu.

Em comunicado divulgado na noite de domingo na rede social Twitter, o Ministério do Interior anunciou que meio milhar de pessoas que trabalham em "instituições ou empresas ligadas ao município de Istambul" estavam a ser investigadas por "ligações terroristas".

Entre elas, 445 pessoas poderiam estar ligadas ao proscrito Partido dos Trabalhos do Curdistão (PKK) ou a correntes curdas próximas, cerca de 80 estarão ligadas ao DHKP-C, um grupo ultramarxista armado, 20 ao MLKP, outro grupo marxista próximo do PKK, duas ao maoísta MKP e "várias" à irmandade de Fethullah Gulen, o teólogo exilado a quem Ancara atribuiu a responsabilidade pelo golpe de Estado falhado em 2016.

Além disso, o Ministério Público acusou 23 membros da DIAYDER, uma associação de líderes religiosos muçulmanos que rejeitam a autoridade da direção estatal de mesquitas, detidos em julho sob a acusação de fazerem propaganda política nos discursos.

Os líderes da associação são acusados de terem canalizado cupões alimentares distribuídos pelo município de Istambul a familiares de membros do PKK mortos em combate, segundo o jornal Milliyet.

O ministro do Interior destacou que pelo menos um dos detidos trabalhava como lavador de corpos numa casa funerária municipal em Istambul.

O presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, reagiu às declarações de Soylu recordando que o município só pode contratar trabalhadores que forneçam um certificado de antecedentes criminais, de acordo com a agência Anadolu.

Se entre as pessoas investigadas existirem suspeitos de terrorismo, o Ministério do Interior não deve responsabilizar o município, mas sim o Ministério da Justiça ou ele próprio, concluiu o autarca.

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