UE critica "sufoco" da liberdade de imprensa em Hong Kong, após fecho do jornal Apple Day

Segundo o porta-voz de Josep Borrell, o fecho deste jornal "mina seriamente a liberdade e o pluralismo dos meios de comunicação social, que são essenciais para qualquer sociedade aberta e livre".

A diplomacia da União Europeia (UE) lamentou esta quarta-feira o encerramento do jornal Apple Daily de Hong Kong, considerando ser revelador de como a lei de segurança nacional imposta por Pequim está a "sufocar a liberdade de imprensa".

"O encerramento das operações do Apple Daily em Hong Kong mostra claramente como a lei de segurança nacional imposta por Pequim está a ser utilizada para sufocar a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão", indica o porta-voz do Alto Representante da UE para a Política Externa numa posição divulgada esta quarta-feira.

Segundo o porta-voz de Josep Borrell, o fecho deste jornal "mina seriamente a liberdade e o pluralismo dos meios de comunicação social, que são essenciais para qualquer sociedade aberta e livre".

"A erosão da liberdade de imprensa é também contrária às aspirações de Hong Kong como centro internacional de negócios", acrescenta.

Na nota, a diplomacia da UE recorda, ainda, que "estas liberdades estão consagradas na Lei Básica de Hong Kong", pelo que "devem ser plenamente protegidas e restauradas".

O último número do jornal Apple Daily de Hong Kong vai ser publicado na quinta-feira, anunciou esta quarta-feira o diário.

A decisão do conselho de administração surgiu menos de uma semana depois de a polícia ter detido cinco responsáveis e congelado bens no valor de 1,9 milhões de euros.

Durante anos, o Apple Daily foi um firme apoiante do movimento pró-democracia na região semiautónoma e tem sido crítico dos líderes chineses.

O proprietário e magnata dos 'media' Jimmy Lai está atualmente detido, condenado a várias penas de prisão pelo envolvimento em protestos antigovernamentais em 2019.

Foi também acusado, ao abrigo da lei de segurança nacional, que prevê a pena de prisão perpétua para crimes de secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras.

Esta foi a primeira vez que opiniões políticas publicadas por um órgão de comunicação social de Hong Kong levam a um processo judicial ao abrigo da controversa lei imposta pela China, em 2020, na antiga colónia britânica.

Os protestos antigovernamentais, iniciados na segunda metade de 2019, na sequência da apresentação de uma proposta de lei que previa a possibilidade de extradição judicial para a China, prologaram-se por vários meses na região semiautónoma.

A proposta foi retirada, mas Pequim aprovou, em 30 de junho de 2020, a lei da segurança nacional para o território.

A lei foi criticada pela UE, pelos Estados Unidos e pela ONU por violar o princípio "Um país, dois sistemas", acordado na transferência de Hong Kong, em 1997 e que garantia à antiga colónia britânica liberdades desconhecidas no resto da China.

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