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Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

Ao cuidado de quem elegeu André Ventura

Sim, eu sei que escrever sobre o Chega e o seu líder tem sempre o risco de lhe dar ainda mais protagonismo. Sim, eu sei que, neste momento, decorrem negociações para a formação de um novo governo e que o centro-direita atravessa uma crise sem precedentes. Sim, eu sei que, politicamente, o país tem problemas gravíssimos que mereciam ser denunciados nestas linhas de texto. Mas não posso - não consigo - deixar de alertar para os riscos que a nossa democracia enfrenta com a eleição de André Ventura para a Assembleia da República. E, ao contrário do que muitos pensam, não é ignorando e muito menos normalizando os "venturas" que se faz este combate.

Será que António Costa quer mesmo casar?
Inês Cardoso

Será que António Costa quer mesmo casar?

Nas declarações sobre as opções possíveis para o modelo de governação na legislatura que se segue, António Costa faz lembrar aqueles jovens que dizem que querem casar e que a família até valoriza muito o casamento, mas, ao mesmo tempo, vão acrescentando que o casamento não passa de um papel que não muda nada na relação. É assim que o vamos ouvindo afirmar que os portugueses demonstraram gostar da "geringonça" e querer vê-la reeditada, para, logo de seguida, acrescentar que a forma dos acordos não é importante e que se for preciso governar sem maioria, assim seja.

Costa e o kit mãos-livres?
Pedro Adão e Silva

Costa e o kit mãos-livres?

A geringonça foi a votos e saiu vencedora. Claro está que os portugueses escolheram entre PS, BE e PCP, mas, na solidão da cabine de voto, estavam a pensar na continuação de uma solução que combinou o improvável: estabilidade política, recuperação económica e contas certas. Por isso mesmo, António Costa, no discurso de vitória, enfatizou o óbvio - vai abrir o diálogo com os partidos que viabilizaram o Governo e alargar o diálogo ao PAN e ao Livre.

Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

Geringonça 2.0. O PS quer dar um chuto no BE?

Quem achou que as picardias entre António Costa e Catarina Martins durante a campanha eram arrufos de pouca dura, talvez se tenha enganado. O resultado destas eleições dá ao Partido Socialista um cardápio de opções que pode permitir a Costa descartar o Bloco de Esquerda de uma futura solução política. E, se é verdade que no discurso de vitória António Costa voltou a fazer juras de amor eterno à geringonça, não é menos verdade que, se as conversas com o Bloco de Esquerda derem para o torto, o PCP é suficiente para fazer maioria no Parlamento. Isto sem contar com o PAN e com o Livre, que também mereceram uma referência do secretário-geral do PS. O que também não terá sido por acaso.