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Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

Quem nos salva de nós próprios?

O debate dos últimos dias sobre o futuro dos órgãos de comunicação social tem um pecado original: nunca, em momento algum, se fez uma verdadeira introspeção sobre as responsabilidades que jornalistas, direções, administradores e acionistas têm no estado a que chegou este setor. Pede-se ao Governo medidas de apoio, à União Europeia que imponha regras, aos anunciantes que invistam mais. Definem-se inimigos como o Google, o Facebook ou as empresas de clipping, mendiga-se aos leitores, ouvintes e telespectadores que valorizem o produto jornalístico e que o paguem, mas nunca se olha para dentro do setor. Nunca se identificam os erros que nós próprios cometemos e que só nós, como um todo, podemos corrigir.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

A pobreza não é um fado, mas é um fardo

Os números podem ser virados de muita forma, mas acabam por revelar sempre o mesmo. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos, mais conhecido por PISA e que abrange jovens de 15 anos em 79 países, mostra o quanto o contexto social ainda influencia os resultados nos testes. Os estudantes portugueses que provêm de meios desfavorecidos têm, em média, resultados inferiores em 95 pontos - uma diferença que não só está acima da média na OCDE como aumentou em relação a 2009, altura em que era de 87 pontos.

Fernando Ribeiro
Fernando Ribeiro

A (má) criação do mundo

O baterista Grego da banda que nos acompanha nesta quase interminável digressão que percorre a maior parte deste fragmento político e social em que a Europa se tornou, dentro e fora da comunidade, confessa-me os três momentos em que sofreu de depressão clínica. Relata-me o isolamento, os comprimidos para desbloquear a serotonina, o batimento cardíaco tão rápido quanto ele na bateria. Escuso-me ao erro insensível de lhe perguntar porque ficou ele assim. A depressão não se justifica, ou, por outro lado, tem tantas razões que se torna tão difícil contá-las como às estrelas no céu numa noite em claro. Quando fecho as últimas páginas da Criação do Mundo de Miguel Torga, o autor anuncia, no remate de uma vida, que os novos dias que virão não serão dele (ou nossos). Sinto-me grato por todas estas e outras páginas que me servem de alimento e inspiração nos dias fáceis e difíceis deste deslocamento de mais dois meses numa Europa que se está a deixar matar pelos fantasmas do passado. Não consigo deixar de pensar que esta transferência das minhas agruras para as páginas dos escritores, tem sido a minha carta de "você está fora da prisão/depressão" nas voltas que tenho dado ao tabuleiro da vida. Tenho uma dívida clínica para com a literatura e se fosse psiquiatra, receitava livros em vez de medicamentos.

Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

Joacine, a deslumbrada

Há fenómenos eleitorais difíceis de compreender. E que, às vezes, demoram anos a fazer sentido. Como é que os americanos puderam eleger Donald Trump? Ou os brasileiros foram capazes de pôr no Planalto uma figura como Jair Bolsonaro? Como foi possível o Brexit ter saído vencedor do referendo no Reino Unido? E André Ventura? De onde é que saíram aqueles eleitores? No caso de Joacine Katar Moreira, porém, dificilmente alguém pode manifestar surpresa pela sua eleição.

Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

"Joacine Katar Moreira não está à altura do cargo de deputada"

Joacine Katar Moreira está à altura do cargo? O editor de política da TSF, Anselmo Crespo, considera que não, que a deputada não está à altura da confiança que os portugueses lhe depositaram ao elegerem-na para ter um lugar na Assembleia da República. Na opinião do editor de política da TSF, não são as sucessivas polémicas que têm atrapalhado o trabalho político, mas é a política que parece estar a atrapalhar as polémicas em que a deputada do Livre se tem envolvido. Anselmo Crespo lamenta que Joacine Katar Moreira não aproveite as oportunidades que tem para falar sobre política e mostrar as ideias e visão que tem para o país.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

O Livre, a liberdade e o coletivo em política

A figura de Joacine Katar Moreira foi um trunfo eleitoral para o Livre e a sua agenda identitária, assente na defesa de um feminismo radical e na representatividade parlamentar da luta contra o racismo, foi ganhando terreno na reta final da campanha. É deselegante, para não dizer pior, afirmar, como a deputada o fez, que foi eleita sozinha, mas é verdade que a personalização foi um ingrediente essencial para o sucesso. Com o início dos trabalhos na Assembleia da República, contudo, esse crescimento da figura de Joacine foi esvaziando o Livre de conteúdo programático.A personalização passou de trunfo a excesso e começou a tornar-se evidente o silêncio desconfortável perante algumas polémicas em torno do partido.