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Rodrigo Tavares

O mundo começa a gostar dos portugueses. Falta os portugueses começarem a sentir o mesmo

Nas últimas décadas, a eleição de vários escandinavos para os cargos de Secretário-Geral da ONU, Secretário-Geral da NATO ou Presidente da Assembleia Geral da ONU pode ser atribuída ao acaso, ao lobby ou ao contexto político. Mas também pode ter sido facilitada pelo simples fato de serem escandinavos. Da mesma forma, a eleição de Durão Barroso, António Guterres, Mário Centeno ou António Vitorino para altos cargos internacionais pode ser atribuída a múltiplos fatores aleatórios, mas também pode ter sido facilitada pelo simples fato de serem portugueses.

José Cutileiro

Terra de ninguém

Os ciganos e os ricos são todos primos uns dos outros, dizia a mãe de amiga minha que não era nem rica nem cigana e tinha olho de antropóloga antes de se falar dessas coisas por cá (antes de Professor Leite de Vasconcellos anotar que havia ouvido uma varina dizer "áugua"; do Professor Jorge Dias começar a contar os vizinhos que havia em Rio de Onor). No século XIV, numa feira em Aragão, homem que gritasse alto o seu nome, via-se logo cercado de parentes prontos a defendê-lo de quem o atacasse. Já não é assim em Aragão e não sei se alguma vez assim foi por cá.

Fernando Ribeiro

Para uma ecologia das expectativas

Não vale a pena ignorar que o ambiente será um dos pontos chave de muitas das decisões que se tomarão no futuro, não só nos encontros de líderes mundiais como também a nível nacional, nomeadamente nas legislativas em Portugal, em Outubro. Não cabe nesta opinião ajuizar da procura pela maioria parlamentar, ou introduzir outras visões, de foro cientifico e estatístico que contrariam o clima de emergência climatérica, decretado, por exemplo, no nosso país aquando da greve dos motoristas de matérias perigosas. Apenas verificar a centralidade das politicas amigas do ambiente.

José Cutileiro

O bistrot do francês

Mais exactamente, Le Bistrot Pierre-Marie, na Rua da Torre, acima e do outro lado do cemitério da Guia, encostado a um 5 à Sec, deixou de existir. Durante alguns dias os vidros guardaram o nome embora o lugar estivesse fechado e vazio. Depois, desses vidros foram tirados todos os dizeres. Referências aos prazeres da mesa fora de casa, que se encostavam a referência mal disfarçada aos prazeres do adultério citadino no nome da franchise de limpeza a seco, desapareceram de vez. Assim acabou ali a joie de vivre francesa.

Fernando Ribeiro

"Mas o que é tu fazes pela Amazónia?"

Este simples Verão, até tem levado muita gente às praias e campos. Eu também já por lá andei à procura de lugar onde estacionar o carro e um espacinho para pôr a toalha. Ninguém cá em casa é muito fã de torrar ao Sol e enfrentar a multidão e à falta de tempo e de férias planeadas fazemos o nosso melhor na luta pelo lazer e pelo objectivo de descansar, sair da roda um bocadinho e esticar as pernas dentro de qualquer coisa que esteja mais fresca do que a temperatura que nos rodeia.

Fernando Ribeiro

Volta a Portugal em jerrycan

Quando me preparava para ir para a fila do gasóleo, porque fiz as contas e tinha 1341 kms para andar até dia 19 de Agosto, tive uma sorte do caraças. Na Estação de Serviço de Torres Vedras na A8, abasteci até deitar por fora, gasóleo Evologic, mais caro mas o que ponho sempre, nem sei dizer porquê. Feito isto, subtraí, por mero acaso, muito stress à minha cabeça e horas ao meu tempo. Ainda não tenho o gasóleo todo que preciso mas, de uma forma ou outra, irei consegui-lo. Ou me junto à mole que faz filas "antes de tempo" ou tenho outra vez sorte, ou algum conhecimento que me safe.

Rodrigo Tavares

Se os Exames Nacionais fossem avaliados, Portugal seria reprovado

Entre fevereiro e agosto de cada ano, cerca de 160 mil pessoas têm a sua vida escolar monopolizada pelos Exames Nacionais. É um processo potencialmente decisivo para o seu futuro. Mas é também uma romaria a um Portugal da década de 80, aquele que digita só com um dedo e que tem caderneta bancária. A modernização da administração pública portuguesa, visível em algumas áreas, continua a ser panfletária e impercetível em várias outras, deixando a população impotente perante a indolência do Estado.