Mais Opinião

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

O Direito contra o Direito

Comecemos por recordar o óbvio. O processo Marquês expôs um conjunto de factos que revelam comportamentos profundamente reprováveis, ética e politicamente, independentemente do juízo criminal que os tribunais venham, em última instância, a fazer. Esses comportamentos exigem censura social, independentemente de qualquer censura jurídica. E também exigem uma reflexão profunda sobre a cultura política que os permitiu. Ainda há poucas semanas falava aos ouvintes da TSF sobre alguns dos problemas dessa cultura política. Este processo comprova-os. A discussão jurídica não nos deve fazer esquecer de que essa é a principal discussão que temos de ter. Mas é verdade que o processo também traz interrogações e dúvidas sobre o nosso sistema de justiça.

Rosália Amorim
Rosália Amorim

Abalo na justiça e na política portuguesa

A Operação Marquês fará história na justiça e na política em Portugal. E não é apenas pela lentidão do processo, que durou cerca de sete anos. Mas fará história também porque, pela primeira vez, um juiz afirmou que há um primeiro-ministro em Portugal que foi alvo de corrupção passiva ou, por outras palavras, foi corrompido. E o juiz usou até a expressão "compra de personalidade" - e fez questão de o dizer publicamente, mesmo sabendo que o crime de corrupção já tinha prescrito. Por isto mesmo, este caso de justiça fará história.

Raquel Vaz Pinto
Raquel Vaz Pinto

A relação EUA-Irão: recomeço nuclear em Viena?

Nos últimos dias, por entre a desumanidade que nos chega de Cabo Delgado, a repressão implacável em Myanmar, as chuvas torrenciais em Timor-Leste, a pressão militar russa na Ucrânia, a intensidade do conflito na Etiópia, já para não falarmos na pandemia, passou um pouco por entre os pingos da chuva a reunião na passada terça-feira em Viena. Neste encontro onde estiveram vários actores internacionais o tema foi uma eventual reaproximação entre o Irão e os EUA e, mais concretamente, o dossier nuclear.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Rui Rio. Olha para o que digo e não para o que faço

Numa tentativa de jogar por antecipação, Rui Rio tem marcado terreno na escolha dos candidatos para as eleições autárquicas, com apostas fortes nalguns concelhos, com Lisboa à cabeça. A tática, contudo, vai saindo manchada por vários erros estratégicos. Depois de desacertos na indicação de candidatos antes mesmo de os próprios serem contactados, Amadora e Oeiras são os mais recentes exemplos de como o presidente do PSD vai perdendo coerência entre discurso e prática. No primeiro caso, por razões ideológicas. No segundo, por mais uma vez sair completamente beliscado o discurso de rigor e grande exigência que tenta manter em torno da sua imagem.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

O crime também sabe ficar em casa

O último dia de março é o limite que a lei aponta para a entrega do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) ao Parlamento e ontem começaram a ouvir-se alguns balanços políticos dos números. O ministro da Administração Interna congratulou-se com "os mais baixos índices de criminalidade" do ano passado, considerando que traduzem uma consolidação da "tendência da última década", em que se verificou uma "permanente redução da criminalidade".

Miguel Poiares Maduro
Miguel Poiares Maduro

Um amadorismo de milhões

Começo por arriscar a ira dos ouvintes da TSF defendendo o árbitro holandês do jogo de sábado entre Portugal e a Sérvia que não atribuiu, no último minuto do jogo, um golo claro a Portugal, por ter considerado, erradamente, que a bola não tinha ultrapassado a linha de baliza. A culpa do desastre não é dele, mas sim de quem o envia "para a estrada" com um velho Renault Clio depois de passar toda a época a conduzir automóveis de topo de gama, beneficiando de todo o tipo de tecnologia de assistência à condução.