Alles gegen Allles - Todos contra Todos

Tornámos o mundo num novelo despenteado. Há tanta ponta por onde pegar que já não vislumbramos o centro, perdendo a noção do que é importante. Mas, como animais domésticos que nos tornámos, chegam-nos e sobram-nos as pontas que vamos desfiando até à fineza de um cabelo com que estrangulamos a nossa noção e respeito pelo próximo. Eu não sou de Direita. Sou de Esquerda. Mais concretamente, voto CDU. Tenho razões ideológicas e pragmáticas que me fazem estar certo do meu voto. Acredito que os ideias deste partido tem evoluído e se adaptado, e voto não por lugares no Governo mas para uma oposição que já pertence à dinâmica positiva de Portugal, pelo direito ao contraditório.

Não acredito em revisionismos, nem nos ensinamentos do Senador McCarthy (EUA, anos 50), a figura politica que definiu, ou melhor, desacreditou e distorceu perante as massas "conceitos" como o socialismo, ou o próprio comunismo, mas acredito no bom senso que à semelhança do que outros fazem com as ideias do PCP, me permite ouvir opiniões contrárias, levando-as em consideração. Acredito, embora não concordando com as suas ideias, que uma Direita, sem extremismos, pode até ajudar-me a ler o mundo de uma outra maneira. Por exemplo se a globalização democratizou de facto bens e recursos, não será também inegável que arrastou muito direito consagrado à frente, criando o maior desequilíbrio financeiro entre ricos e pobres, o motor de todas as crises? Quem está no caminho certo? O povo decide em eleições livres como as nossas e as pessoas de bem discutem as suas visões para a sociedade em fóruns próprios com a regra não escrita e por isso nem sempre respeitada da civilidade.

Nesse espaço que nos separa, reside a chamada "luta". Essa luta, depois do sangue das Guerras Mundiais, do medo da Guerra Fria e dos atentados à liberdade do pós-11 de Setembro, é uma luta com regras, com entendimentos, com acordos, com argumentação. Sem violência. Poderá não ser sempre uma luta limpa, mas terá de ser, sem exceções, uma luta ideológica, desprovida de perspetivas de revoluções ou quedas de sistema inúteis, pelo menos em Portugal. Uma ação feita de dentro do Parlamento, com credibilidade, pelos representantes (uns melhores, outros piores), da Constituição. O mundo não mudará, porém as utopias podem tomar uma nova forma sob a consolidação de direitos fundamentais, como os recuperados na última legislatura, a da gerigonça que mesmo aos soluços, conseguiu com que Portugal voltasse a respirar.

À Direita, e como afirmam muitos dos seus fiéis, desiludidos pela vacuidade ideológica, parece que o tempo é de limpar armas e de defender ao ataque. É de uma unanimidade quase perigosa, considerar-se à Direita, por exemplo, o feminismo "excessivo". As feminazis, a"pide feminista". Se não fosse a sério e dito por pessoas (todas do sexo masculino) que, de alguma forma, recebem o respeito das suas comunidades, podíamos metê-los nas gaveta dos "loucos". Teria, no entanto, o seu valor perguntarmo-lhes se os números da violência doméstica, se a desigualdade salarial mesmo "em casos de idêntica produtibilidade", se todo o triste historial das mulheres Portuguesas ou que vivem em Portugal, será também ele "excessivo" aos olhos destes neo-machistas. Um homem que se digne não tem medo de mulheres que se defendem. Estão no seu direito. Aliás, o feminismo não peca por excesso, mas sim por defeito perante as realidades que ainda não conseguiu mudar muito graças às sanções por parte dos alfas.

Por fim, e sim tudo está ligado, um amigo Britânico antes de entrar no avião para nos visitar, apanhou duas "fights" entre brexiters e remainers. Se não se está a dividir para conquistar, se não se está a tentar limitar a liberdade das justas reivindicações, e mais importante que tudo a tentar retirar o poder da indignação às mulheres, por favor alguém me acorde deste pesadelo. Todos temos muito para refletir e opções em quem votar. Antes que os extremismos que estão aí para durar retirem também essa nossa capacidade de eleger quem nos governa, como o fizeram às mulheres durante os muitos anos de democracia reservada apenas aos cavalheiros.

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