Volta a Portugal em jerrycan

Quando me preparava para ir para a fila do gasóleo, porque fiz as contas e tinha 1341 kms para andar até dia 19 de Agosto, tive uma sorte do caraças. Na Estação de Serviço de Torres Vedras na A8, abasteci até deitar por fora, gasóleo Evologic, mais caro mas o que ponho sempre, nem sei dizer porquê. Feito isto, subtraí, por mero acaso, muito stress à minha cabeça e horas ao meu tempo. Ainda não tenho o gasóleo todo que preciso mas, de uma forma ou outra, irei consegui-lo. Ou me junto à mole que faz filas "antes de tempo" ou tenho outra vez sorte, ou algum conhecimento que me safe.

As razões que levam qualquer trabalhador a fazer greve são, por principio, justas. Antes da manipulação mediática e do prejuízo social, os trabalhadores pedem o que acham necessário para continuar a desenvolver o seu trabalho. Ainda por cima estas reivindicações são feitas num clima, primeiro, de uma muito propagandeada estabilidade económica; segundo, num contexto em que, diariamente, se tem revelado o trilho do dinheiro, quem o possui verdadeiramente e não tem intenções de o largar, nem que a justiça a isso o obrigue. O problema do mundo, hoje em dia, não é bem a falta de dinheiro mas a sua distribuição. E é dessa repartição dos "lucros" que todos nós, até quem conduz camiões cisternas e recebe "ajudas de custo", temos muitas razões de queixa.

O mais triste disto tudo é que quem foi encher depósitos e banheiras de gasóleo não merece a difamação de que tem sido alvo. Sim, em todas as bombas aparecerá um velhote, que só tira o carro da garagem aos fins de semana, ou um espertalhão que encherá um bidão a mais. Também não compreendo o que seria de esperar quando este comportamento nos é instilado todos os dias através de carradas de informação, e quando os nossos direitos se veem diminuídos em relação aos impostos que pagamos. Vivemos sob um capitalismo pleno que, sem alternativas, não pode antecipar uma consciência social tão forte, que nos deixaria a todos em casa à espera da solução prometida. Em vez de "fazermos pouco do tuga", deveríamos ler as coisas doutra maneira e aprender uma lição: a de que o cidadão nacional primeiro que tudo confia em si próprio para resolver um assunto e por isso vai para as bombas, demonstrando que é ainda uma rede familiar, de conhecimentos pessoais e de oportunidade que lhes permite ultrapassar os problemas da vida quotidiana.

Os Portugueses nas bombas são vítimas e não culpados. Vítimas de um comportamento imposto pela comunicação social, pela agenda de um sindicato e pela incapacidade ou falta de vontade séria para se resolver o enorme problema dos salários baixos em Portugal, esse sim o problema que para o país e para o qual devíamos canalizar o dinheiro dos resgastes aos bancos, as rendas excessivas da EDP e todos os recursos malgastos num país que, se não fosse perdulário, faria boa figura não só nos relatórios como perante a sua gente que já tanto paga pelo direito a circular livremente.

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