OE: Quem se quer divorciar da Carochinha?

Daniel Oliveira defende que "António Costa não quer aliados, quer reféns" e que essa postura tem dificultado as negociações do Orçamento de Estado para 2021. No espaço de opinião de ocupa na antena da TSF à terça-feira, o comentador diz ainda não entender a lógica do PS quando o partido dá a entender que, como o Bloco de Esquerda votou contra, já não há mais conversa".

O jornalista começa por explicar que "António Costa, muito recentemente, disse que se tivesse de depender do PSD se ia embora", e considera algo nunca antes visto "um governo minoritário, sem nenhum acordo de legislatura, dispensar possíveis maiorias à partida, sem sequer negociar, sem sequer saber que exigências faria o PSD".

No mesmo plano, Daniel Oliveira recorda que "no início da legislatura, [António Costa] recusou negociar um acordo de legislatura com o Bloco de Esquerda, ou seja, por duas vezes, António Costa optou por ficar em minoria sem sequer negociar para saber se valia a pena tentar não ficar em minoria: minoria na legislatura e minoria para o Orçamento do Estado".

O comentador acredita que "a maioria para o Orçamento do Estado com o PSD não era propriamente difícil", uma vez que "Rui Rio, no início da pandemia, se mostrou colaborante, dizendo que não ia criar problemas neste período e, apesar de António Costa agora dizer que é normal que o PSD não aprove um Orçamento do Estado porque tem um olhar muito diferente, não há na realidade neste Orçamento do Estado que choque com o PSD centrista que Rui Rio representa, ou seja, nada que um pedido de desculpas não resolva".

Nesse sentido, Daniel Oliveira argumenta que António Costa recusou a abertura inicial do PSD para conversar, "porque a estratégia de António Costa sempre foi a de usar a popularidade que a Geringonça teve para, sem acordos e sem limites, ter o Bloco de Esquerda e o PCP como reféns, sem ter de ceder em nada, neutralizando assim a possibilidade de existir assim uma oposição de esquerda".

Assim sendo, o jornalista sustenta que "o Partido Comunista fica numa situação muitíssimo difícil", porque agora está "completamente dependente do PCP que, descartados todos os outros partidos com quem se pode conversar, a possibilidade de uma crise política".

"Eu acho que o grande problema de António Costa é que António Costa não quer aliados, quer reféns e é muito difícil negociar com um refém", remata.

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