"Algo se perdeu" na tradução de "Soul". Quase 15 mil pessoas querem nova versão

Músico Pedro Coquenão explicou à TSF que o filme dá "oportunidade de tentarmos equilibrar uma falta de representatividade, especialmente nos atores".

A petição para uma nova dobragem do filme da Disney "Soul", que tem pela primeira vez um protagonista negro, já conta com quase 15 mil assinaturas. A versão original do filme de animação, que retrata a comunidade afro-americana, tem a voz de atores negros mas, em Portugal, a dobragem foi feita por atores brancos, incluindo a do protagonista, interpretado por Jorge Mourato.

Sem colocar em causa a qualidade da dobragem, os criadores da petição, entre os quais está Pedro Coquenão, que falou com a TSF, dizem não querer "dar cor às vozes" que se ouvem durante os 101 minutos de filme, mas alertam que a mensagem é demasiado importante, até porque este "não é só mais um filme de animação".

O músico, nascido no Huambo, em Angola, destaca que foram "muitos anos de trabalho de muitas pessoas" que, nos Estados Unidos, conferiram um impacto aumentado ao filme e, perante uma "história universal" - e apesar de "uma dobragem em português muito bem feita" - há algo que "se perdeu na tradução".

"Soul" retrata a comunidade afro-americana "depois de anos de investigação e de conversas entre atores e pessoas que representam a comunidade" e que permitiram construir um resultado "mais preciso e representativo". Mas em Portugal, lamenta, o filme foi visto "apenas como mais um" e, assim, perde-se a oportunidade de reparar "o que está menos bem".

"Este filme tem essa carga positiva de nos dar uma oportunidade de tentarmos equilibrar uma falta de representatividade, especialmente nos atores, que acontece no mundo inteiro e também em Portugal", explica em declarações à TSF.

O princípio defendido é simples: "Porquê contrariar o espírito de um filme, a intenção de um artista e de uma equipa de dar a oportunidade a pessoas diferenciadas? Porquê fazer o contrário?" A resposta parece escapar, até porque, sublinha Pedro Coquenão, há "talentos, vozes diferentes e até uma identidade afrodescendente própria do país", em contraste com a da brasileira e da americana, que permitiriam outra abordagem ao filme.

O texto é da petição é assinado por sete personalidades: Ana Sofia Martins, Dino D´Santiago, Mamadou Ba, Mayra Andrade, Nástio Mosquito, Pedro Coquenão e Sara Tavares. Às 20h30 de Lisboa, a petição tinha cerca de 14.700 assinaturas.

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