"Censurar a arte e a cultura russa é censurarmo-nos a nós mesmos"

Pedro Amaral dirige a Orquestra Sinfónica da RAI, ao lado do violinista russo Vadim Repin. Esta noite, no Teatro Alla Scala de Milão, todas as notas sobem de tom pela paz e pela solidariedade entre os povos.

Foi este o desejo expresso por Vadim Repin. "Creio ser de uma grande coragem da sua parte dedicar este concerto aos valores da paz, da democracia, da fraternidade e da solidariedade entre os povos", afirma, a partir de Turim, o maestro Pedro Amaral, já depois dos ensaios para o concerto desta noite.

Quando o convite chegou - os concertos são programados com muita antecedência - nada fazia prever uma guerra como a que dura há quase 100 dias no território da Ucrânia, por isso, fala deste concerto como uma afirmação de humanismo, celebrando "compositores oriundos do outro lado da Cortina de Ferro."

O programa é constituído pela estreia em Itália de uma peça da compositora russa Sofia Gubajdulina, "Dialog: Ich und Du", concerto para violino e orquestra, e da nova versão de "La Sindone", para violino e orquestra, de Arvo Pärt. Será ainda interpretada a Sinfonia n.º 15 em Lá Maior, a derradeira, de Dmitri Chostakovitch, um dos compositores mais perseguidos por Estaline, na antiga União Soviética, "o grande compositor russo que foi inevitavelmente vítima da censura em muitos momentos da sua vida", mas que usou o humor e a ironia para resistir.

O maestro Pedro Amaral faz questão de afinar a voz defendendo uma cultura universal. "No momento em que assistimos a tentativas de censurar a arte e a cultura russas, esta é a forma que temos de mostrar que estas obras são parte da cultura humana universal e é como censurarmo-nos a nós mesmos. Ficamos todos mais pobres."

O concerto, integrado na 31.ª edição do Festival Milano Música, começa às 19h00 em Lisboa, 20h00 em Milão. Dez por cento das receitas da venda dos bilhetes revertem para o fundo de ajuda aos refugiados ucranianos

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