Depois da confirmação de Tiago Rodrigues como diretor, o Avignon aplaude o Cerejal de... Tiago Rodrigues

Em português, além do Cerejal, a encenadora brasileira Christiane Jatahy levou ao palco Entre Chien et Loup.

O encenador português Tiago Rodrigues, anunciado como próximo diretor do Festival d'Avignon, deu ao público que veio até ao pátio do Palácio dos Papas, em França, uma interpretação "original" e "imagens bonitas" da obra de Tchekov.

"Não espero nada para além de uma grande qualidade do espetáculo. Se escolhi ver aqui o espetáculo é porque sei que mesmo que não adore, vou ver coisas que me interessam, que me vão questionar e que me vão fazer pensar", disse Brigitte, que fazia a fila para entrar no Palácio do Papas.

Brigitte preferiu chegar cedo para entrar o mais rápido possível num dos recintos mais importantes do teatro mundial, o pátio do Palácio dos Papas, onde é oficialmente aberto todos os anos o Festival d'Avignon.

A honra coube este ano a Tiago Rodrigues, entretanto anunciado como próximo diretor do certame, com a peça "O Cerejal", onde Isabelle Huppert, uma das maiores divas do teatro e do cinema francês, assumiu o papel principal.

Lá dentro, uma nova estrutura de palco instalada no palácio do século XIV aguardava os espetadores. Com quase 200 toneladas de ferro e um orçamento de 3,8 milhões de euros, o objetivo era acolher mais público e em melhores condições.

Assim, uma hora antes do início da peça, duas mil pessoas ziguezagueavam na Praça do Palácio. Para além das novas infraestruturas, também a crise sanitária impôs algum atraso. Para entrar nesta sala, era preciso apresentar um passe sanitário, uma operação que nem sempre foi simples.

Só 40 minutos depois da hora marcada é que as trompetes que assinalam o início das representações no Festival d'Avignon tocaram - "um atraso histórico" ouvia-se nas bancadas.

Durante duas horas e meia Tiago Rodrigues colocou as cadeiras da antiga estrutura viradas para os espetadores, assim como a tradução da angústia humana perante as mudanças inevitáveis da sociedade, num conjunto que agradou aos festivaleiros, mas não arrancou ovações de pé.

"Houve imagens bonitas, como nas transições, nas danças, mas achei que faltava um pouco de ritmo e foi longo. Ao mesmo tempo, apercebi-me que o texto não era nada fácil", disse Élise, estudante em Paris.

Sophie, que viu várias representações do "O Cerejal" de vários encenadores diferentes, considerou que a representação foi um sucesso.

"É uma peça muito difícil de encenar e houve muita emoção, tocou-me muito. Para mim foi um sucesso e foi só a estreia, agora a peça vai cristalizar-se e tornar-se cada vez mais interessante", assegurou.

Os festivaleiros apreciaram esta entrada "original" de Tiago Rodrigues na mostra, especialmente do destaque dado à música, com Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves a estarem em palco junto aos atores, protagonizando também alguns momentos de humor.

Os amantes do teatro querem agora ver mais do seu futuro diretor, cuja escolha já aprovam.

"É ótimo, acho que foi uma boa escolha. Ele exprimiu os laços que tem com a França e com o festival e gostei muito de o ouvir. É uma pessoa interessante e estou contente de estar aqui para ver a sua peça. Estou a 150% com ele", garantiu Jean, que vive em Avinhão.

E o melhor para o Festival d'Avignon e Tiago Rodrigues, segundo público, ainda está para vir.

"Claro que vêm aí ainda mais e melhores coisas", concluiu Sophie.

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