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Benjamim: "A música portuguesa está com falta de memória há muito tempo"

Um dia está a produzir o álbum de uma artista emergente como Joana Espadinha. No outro está a trabalhar com uma intérprete "esquecida" ou "escondida" como Lena D'Água. Benjamim é uma espécie de novo Júlio Isidro, que revela os artistas mais frescos, sem ignorar os cantores e compositores que marcaram as gerações mais antigas.

"Eu acho que música portuguesa está com falta de memória há bastante tempo", conta Benjamim (nome artístico de Luís Nunes), pouco tempo antes de entrar no palco António Variações do festival Bons Sons para atuar com Joana Espadinha.

O cantor, compositor e produtor acredita que "vivemos uma altura em que existe uma geração inteira que procura essa memória." E,mais do que a coexistência de bandas jovens e de artistas da velha guarda, defende "as gerações têm de conseguir conviver".

"A Joana Espadinha tem a ver com a Lena D'Água. Eu tenho a ver com o Jorge Palma e com a Lena D'Água. Nós temos a ver com o Sérgio Godinho e com o Zeca Afonso, com os Heróis do Mar e com os Xutos e Pontapés. É só ligar os pontos. Somos um país tão pequeno que não faz nenhum sentido vivermos isolados na nossa música."

Apesar de ter um papel importante no ressurgimento de artistas como Lena D'Água e Flak (guitarrista dos Rádio Macau), Benjamim sublinha que não quer "salvar" ninguém.

"Nunca fui com sentido de missão para nenhum destes projetos. Fui com a vontade de fazer música."

Quando começou a tocar, aos 18 anos, Benjamim encontrou um terreno "muito mais árido" do que aquele que uma banda jovem encontra hoje.

"Nós, muitas vezes, tínhamos de levar o material de som para tocar. Hoje em dia, qualquer sítio tem um P.A. (uma aparelhagem sonora) para uma banda tocar."

O artista acredita que, "felizmente", a música portuguesa entrou numa "trajetória irreversível" com "cada vez mais música, mais projetos e mais 'putos' a fazer música nova."

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