"Mulheres que fazem barulho" no rock nacional

A Reitoria da Universidade do Porto alberga adereços e memórias de várias mulheres que estão na história do rock português.

É um olhar raro sobre o rock português no feminino. Nas estantes da Sala Comum da Reitoria da Universidade do Porto estão agora objetos, imagens e memórias que representam o trajeto único de quinze destas mulheres.

Ao recordar que "os adereços eram o ex-líbris da nossa banda nos anos 80", Anabela Duarte, uma das vozes dos Mler Ife Dada, destaca a irreverência de uma das peças que escolheu para esta exposição: "um vestido muito giro que eu tinha lá há décadas guardado e que, por acaso, não estava em muito bom estado de conservação. Era um vestido em plástico - e o plástico amarrota-se todo -, amarelo, com uns soutiens de cone". A cantora recorda o estilo popularizado na época pela grande estrela pop Madonna: "Na altura eram muito famosos os soutiens de cone do estilista francês Gaultier".

Ana Deus, vocalista dos Três Tristes Tigres, também participa nesta exposição com um urso de peluche que se tornou um aliado do palco nos primeiros anos. Recorda que "há uns anos atrás era preciso muita teimosia e resistência porque, os primeiros a serem contra o facto de uma rapariga se meter na música, no Rock, seria a família. Sim, era bastante complicado." Mas, hoje, o cenário é diferente: "Estamos a caminhar para a igualdade e na música [também]".

Sandra Batista, dos Sitiados e da Naifa, não deixando de referir o instrumento que a tornou célebre neste universo, revela um lado mais despojado de apegos nostálgicos.

"Eu [...] trouxe mesmo aquilo que levava para o palco. A minha malinha de cartão, em que tinha o acordeão lá dentro - portanto, o meu primeiro acordeão -, o fato que usei no Portugal Ao Vivo [...] e algumas fotografias também. Não tive muito tempo para aquela coisa dos recuerdos - não fui muito por aí."

"Viver Depressa, Morrer Tarde", "Berrar mais Alto", "Cansei de Ser Sexy" e "Sementes do Futuro" são os temas por onde se distribuem estes e outros trajetos. Para visitar, com entrada gratuita, até 30 de setembro na Sala Comum da Reitoria da Universidade do Porto.

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