O melhor Fellini no verão português

Seis clássicos de Federico Fellini, em cópias restauradas, vão ser exibidos em salas de cinema de Lisboa, para comemorar o centenário do cineasta italiano. A partir de hoje e até meados de setembro.

Felinni para ver - ou rever - a obra magistral de um génio do cinema, criador de universos barrocos exuberantes, explorador de mundos, sonhos, recordações, desejos, frustrações e obsessões.

Expoente máximo dos anos de ouro do cinema italiano, La Dolce Vitta, com Marcello Mastroianni, Anita Ekberg e Anouk Aimée, vai estar no Cinema da Villa (Cascais), no Espaço Nimas (Lisboa) e no Cinema Trindade (Porto) de hoje até 12 de agosto. Esta obra-prima do cinema representa um olhar à cultura do estrelato, o estilo de vida das celebridades que, em pleno era da sociedade do espetáculo, se exibem em Roma. Marcello Rubini (Marcello Mastroianni) é o jornalista que escreve sobre mexericos e explora as nuances das luzes nas vidas dos famosos mas o filme será eternamente lembrado pela imagem icónica da sueca Anita Ekberg na Fontana di Trevi.

Dia 13 chega às três salas portuguesas a versão restaurada de A Estrada, La Strada. O filme tem no elenco Giulietta Masina no papel de Giulietta, Anthony Quinn e Richard Basehart. Figura frágil e ingénua num mundo sem amor, Gelsomina é vendida pela mãe a Zampanò (Anthony Quinn), um saltimbanco forte e bruto que a leva para trabalhar com ele numa vida de estrada, dando-lhe um número burlesco. Quando este encontra um velho rival, o artista que dá pela alcunha de "O Louco" (Richard Basehart), a fúria do homem musculado é provocada até ao ponto de rutura.

Uma semana depois, a 20 de agosto, é a vez de Fellini 8 ½. Também com a dupla Marcello Mastroianni e Anita Ekberg, a que se soma Claudia Cardinale. No filme, Mastroiani, qual alter ego de Fellini, faz de um realizador a atravessar uma crise de inspiração.

O mês termina com Julieta dos Espíritos, estreia a 27... o filme é tido como o reverso feminino do "eu" masculino de Fellini 8 1/2. Os atores protagonistas são Giulietta Masina, Sandra Milo e Mario Pisu. Giulietta no papel de Giulietta, que suspeitando da infidelidade do marido, entra numa jornada surreal de autodescoberta, repleta de sonhos selvagens e fantasias encantatórias que envolvem Suzy, a vizinha sexualmente emancipada, com um estilo de vida de fazer inveja.

Nas primeiras quintas-feiras de setembro, a homenagem a Fellini prossegue com Os Inúteis, o arrastar da vida adolescente numa pequena cidade costeira; o filme sobre o qual Martin Scorsese escreveu: "capta as emoções agridoces de um momento que eventualmente chega a todos, esse em que percebemos que podemos crescer ou ser para sempre uma criança" e A Voz da Lua, comédia com um lunático visionário de alma inocente, que se delicia com a vida provinciana e nutre um amor desmesurado por Aldina (papel de Nadia Ottaviani), a mulher de quem ele diz ter o rosto da Lua.

Este que foi derradeiro filme de Fellini, é um angustiado retrato do louco e do moderno e tem como protagonista Roberto Begnini, que viria a realizar A Vida É Bela.

Bela para um, doce para outro. Cinema italiano do melhor Fellini. Para todos.

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