Se o telefone tocar, atenda. Pode ser alguém para lhe ler um poema

A Casa Fernando Pessoa está a distribuir leituras de poemas e textos ao telefone para aliviar os dias de isolamento social. Quem quiser receber uma chamada com uma leitura tem de se inscrever e esperar que o telefone toque.

O projeto "Leituras ao Ouvido", lançado pela Casa Fernando Pessoa, surgiu para encontrar uma forma de chegar às pessoas mais afastadas das redes sociais e que nem sempre têm acesso a um computador.

Recorreram ao telefone para distribuírem leituras de poemas e contos mediante uma marcação, para levar a quem ouve "aquilo que é a nossa matéria de trabalho, que é a literatura, que é o texto poético".

Clara Riso, diretora da Casa Fernando Pessoa, explica que o objetivo é chegar "a essas pessoas que muitas vezes, até mesmo em estados que não são o atual, estão já mais solitárias, mais isoladas, mais destacadas de um convívio mais frequente".

Quem quiser receber uma leitura ao ouvido, feita por voluntários da Casa Fernando Pessoa e da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), tem de se inscrever entre as 10h e as 14h através do número 914 342 537. A partir das 16h, é estar atento ao telefone.

Os telefonemas são breves. Os voluntários oferecem algumas propostas de leituras a partir de livros que têm nas estantes em casa. Além de Fernando Pessoa, há outros autores à disposição de quem ouve.

"Apresentamos as sugestões e assim a pessoa é implicada no processo. Isso também torna o contacto mais direto. É aquela pessoa que escolhe o texto que naquele momento lhe apetece mais ouvir. É um gosto para os dois lados este encontro a meio da tarde à volta dos livros", explica Clara Riso.

A diretora da Casa Fernando Pessoa afirma que começaram por ser quatro leitores voluntários mas agora são já 16 que, de segunda a sexta, ligam para pessoas de todo o país, incluindo Açores e Madeira.

"Quando falamos com as pessoas, são muitos generosas, algumas comovem-se, outras lembram-se de leituras que já fizeram. Dizem que aquele momento é o momento que alegrou o dia", explica a responsável pela Casa Fernando Pessoa.

Do lado de cá do telefone, são respostas que sabem bem ouvir, garante Clara Riso: "Nós retribuímos também com alguma emoção e com gratidão também do nosso lado, porque é uma troca. Estamos nisto juntos".

LEIA AQUI TUDO SOBRE O NOVO CORONAVÍRUS

Recomendadas

Patrocinado

Apoio de