BCP vai poupar 35 milhões de euros por ano com plano de reestruturação

Banco apresentou lucros de 12,3 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, menos 84% do que no mesmo período de 2020.

O presidente executivo do BCP disse esta segunda-feira que o plano de reestruturação que o banco tem em curso, que inclui a saída de trabalhadores, levará de futuro a poupanças de 35 milhões de euros por ano.

O BCP apresentou esta segunda-feira lucros de 12,3 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, menos 84% do que no mesmo período de 2020. As contas incluem gastos de 87,2 milhões de euros para custos de reestruturação em Portugal. O BCP tem em curso um plano de reestruturação em que poderá reduzir até 1000 trabalhadores, segundo estruturas sindicais.

Na apresentação de resultados, Miguel Maya disse que esse plano de reestruturação tem um custo de cerca de 90 milhões de euros este ano, mas levará de futuro a poupanças anuais de 35 milhões de euros.

O gestor disse que esta reestruturação "não tem a ver com pandemia", que a crise pandémica foi um "acelerador de tendência" mas que já estava previsto fazer devido aos hábitos dos clientes que "querem a conveniência dos canais digitais", à evolução tecnológica que "permite níveis de automação e eficiência superiores" e a um "contexto estrutural (não conjuntural) de concorrência acrescida".

Miguel Maya disse ainda que há cada vez mais operadores de base tecnológica que fazem concorrência ao banco, em diversas áreas, afirmando mesmo que alguns deles operam de modo "não regulado", repetindo uma crítica que tem feito recorrentemente.

O gestor afirmou ainda que os funcionários do banco a dispensar são de serviços centrais e de sucursais. No dia 13 de julho, os sete sindicatos do setor bancário promoveram uma manifestação em frente à Assembleia da República, contra os despedimentos, deixando em cima da mesa a realização de uma greve nacional. A iniciativa foi inédita por juntar pela primeira vez os vários sindicatos numa ação conjunta.

Na semana passada, os deputados da Comissão de Trabalho e Segurança Social votaram esta segunda-feira por unanimidade os requerimentos do PSD para audição aos sindicatos do setor bancário e ao presidente executivo do BCP, Miguel Maya, que deverá ocorrer esta semana.

O setor bancário perdeu cerca de 15 mil funcionários entre 2009 e 2020 e este será novamente um ano 'negro'. Grandes bancos portugueses preveem reduzir milhares de trabalhadores, sendo BCP e Santander Totta os que têm processos mais 'agressivos' em curso.

Segundo informação a que a Lusa teve acesso, o BCP quer que saiam 1000 empregados através de reformas antecipadas ou rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego). Caso não saiam por acordo o número que consideram adequado, admite avançar para despedimentos coletivos.

Numa carta ao primeiro-ministro, António Costa, a UGT disse a semana passada suspeitar de que existe cartelização entre os grandes bancos para uma redução inédita de postos de trabalho no setor, "à custa da pandemia e dos seus efeitos".

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