CES e parceiros sociais vão colaborar com Escola de Saúde em investigação sobre teletrabalho

Objetivo é perceber de que forma o teletrabalho pode afetar não só a saúde mental e física dos trabalhadores, mas também a produtividade das empresas.

O Conselho Económico e Social (CES), os Parceiros Sociais e a Escola Nacional de Saúde Pública estabelecem esta terça-feira um protocolo de cooperação para a realização de um projeto de investigação científica sobre o impacto do teletrabalho na saúde dos trabalhadores.

O projeto, que vai ser desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, tem como objetivo compreender de que forma o teletrabalho pode afetar a saúde mental e física dos trabalhadores e, indiretamente, o bem-estar no trabalho, a organização das empresas e a sua produtividade.

O estudo ficará a cargo de uma equipa de investigação composta pelos professores Julian Perelman e Pedro Laires pelos investigadores Pedro Neves e Sara Ramos e contará com a colaboração dos CES e das confederações patronais e sindicais.

Um dos investigadores da Escola Nacional de Saúde Pública, o professor Pedro Laires, especialista em epidemiologia, explica que se coloca diante dos especialistas um mundo de dúvidas quanto às implicações do teletrabalho.

"Esta nova forma de trabalhar, que é o teletrabalho, não sendo inteiramente nova é algo que se acentuou com a pandemia, veio colocar novas dúvidas e novas questões de como esta relação entre a saúde e este regime de trabalho pode ser alterada", começa por dizer o professor, em declarações à TSF.

Pedro Laires indica que o objetivo desta investigação é "perceber de que forma é que o teletrabalho pode influenciar a saúde física, mas também a saúde mental", dando especial atenção à depressão e à ansiedade. "O que se pretende neste trabalho é precisamente perceber o efeito a curto, médio e longo prazo do teletrabalho na saúde, mas também na produtividade para as empresas", acrescenta.

O alvo deste estudo serão as empresas "com uma percentagem muito expressiva deste regime de trabalho", mas a população em estudo não será "demasiado restringida". "É importante termos aqui uma realidade plural", diz Pedro Laires, sublinhando que a investigação terá como foco setores que "se prestam ao teletrabalho".

Fonte do CES disse à agência Lusa que os investigadores pediram o apoio do Conselho porque sentiram necessidade da ajuda dos parceiros sociais para desenvolver o estudo, que deverá terminar com algumas recomendações.

Os parceiros sociais poderão ter um papel importante neste processo porque, quando o estudo estiver pronto, poderão apresentar propostas relacionadas com as suas conclusões na comissão permanente de concertação social.

Em Portugal, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), 23,1% da população empregada trabalhou a partir de casa no segundo trimestre de 2020, valor que sobe para os 27,9% na Área Metropolitana de Lisboa.

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