CGTP e UGT defendem que problema do emprego em Portugal está nos baixos salários

Centrais sindicais recusam que a "importação" de trabalhadores qualificados seja uma solução.

A UGT e a CGTP defendem que o problema da falta de mão de obra em vários setores da economia portuguesa está nos baixos salários pagos em território nacional e não aceitam o argumento de que falte gente a querer trabalhar.

No Fórum TSF desta manhã, que procurou saber se a falta de trabalhadores está a dificultar a recuperação económica, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, confessou mesmo que o argumento da falta de mão de obra dá "vontade de rir".

"O problema não é de falta de mão de obra. É que a mão de obra qualificada, nós temo-la", assinala. "Ela é formada, o país investe e as famílias investem, mas os empresários portugueses têm de fazer uma coisa: é pagar-lhes outros salários."

Para Carlos Silva, a "precariedade e baixos salários são dois paradigmas da sociedade portuguesa" que devem ser retirados do mercado e ultrapassados, dado que atualmente "afastam qualquer trabalhador qualificado".

Confrontado com a "importação" de mão de obra qualificada, o líder da UGT reforça a questão em torno de pagamentos dignos: "Se for importada têm de lhe pagar bem. E se é para pagar bem, paguem aos que cá estão."

A CGTP, pela responsável para a área do Emprego, Andreia Araújo, faz uma leitura semelhante: há um problema de valorização dos trabalhadores em Portugal, confrontados com "baixos salários e uma desregulação das condições de trabalho".

Os mais qualificados "abandonam o país porque consideram que aqui as oportunidades que surgem não são atraentes e, à primeira possibilidade, emigram". Já os que ficam no país, "tentam procurar os setores onde existem melhores condições de vida e de trabalho".

Um dos principais problemas dos trabalhadores portugueses é o de que "não têm direito a feriados, fins de semana, a conciliar a sua vida familiar com a vida pessoal e profissional"

No comércio, exemplifica, "ganha tanto um trabalhador que trabalha há 20 ou 30 anos como um trabalhador que acabou de ser admitido".

Assim, e confrontados com a ausência de uma perspetiva de futuro, muitos trabalhadores despedem-se "sem ter direito a subsídio de desemprego ou indemnização para ir procurar noutros setores melhores condições", como acontece no comércio, serviços e hotelaria, setores que "têm vindo a queixar-se de falta de mão de obra".

A CGTP entende que o caminho "não é este" e Andreia Araújo revela que esta terça-feira, numa audição da Comissão de Trabalho na Assembleia da República, registou que "todas as bancadas reconheceram que em Portugal os salários são baixos".

Sobre a contratação de mão de obra no estrangeiro, a central defende que tal "só serve para adiar o problema" que Portugal tem enfrentado e alerta que as empresas não podem "apostar em baixos salários e baixa qualificação".

A solução é, no entender da CGTP, garantir a quem fica no país que tem "condições para viver e trabalhar no seu próprio país" e dinamizar a contratação coletiva.

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