Concertação Social reunida para debater situação da Ucrânia. Patrões listam vagas para refugiados

Motoristas e eletricistas estão entre as profissões com maior oferta para as pessoas que cheguem da Ucrânia, fugidas do conflito. Sindicatos querem garantir que direitos desses trabalhadores serão cumpridos.

O Governo e os parceiros sociais reúnem-se esta tarde, com caráter de urgência, para debater a situação de crise na Ucrânia, na sequência da invasão pela Rússia. A reunião do Conselho Permanente da Concertação Social, em Lisboa, foi convocada pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, com o objetivo de acompanhar "a situação de crise na Ucrânia".

O Governo já anunciou que os apoios para quem escolhe Portugal como refúgio serão para todos aqueles que fogem da Ucrânia, e não apenas para cidadãos de nacionalidade ucraniana.

João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), afirma que, a pedido da tutela, encontra-se já a fazer um levantamento das vagas disponíveis para estas pessoas.

"O Governo solicitou-nos que déssemos apoio à contratação de eventuais imigrantes ucranianos, refugiados, que viessem para Portugal. Já demos conhecimento a todas as associações - que são mais de cem - que estão filiadas", adianta João Vieira Lopes, indicando que o maior número de vagas disponíveis é para funções como "motoristas de pesados" e "eletricistas", assim como para "profissões ligadas às novas tecnologias".

Já a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, sublinha que têm de existir garantias de que os direitos destes trabalhadores são respeitados.

"É muito importante que haja condições para recebê-los", nota a dirigente sindical. "Isso implica haver também um controlo muito grande de que empregos vão ter, de questões salariais, de cumprimento da contratação coletiva, inclusive, nestes casos, a própria garantia da habitação, porque também é uma questão que se vai colocar", refere.

Quanto ao diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade, Pedro Braz Teixeira, sugere que o Governo baixe o preço dos combustíveis, como forma de ajudar as empresas e minimizar os efeitos negativos para a economia portuguesa do conflito na Ucrânia.

"Seria muito correto que o Governo baixasse os impostos sobre os combustíveis", defende Braz Teixeira. "Cabe ao Estado a função de estabilização da economia e quando a economia está perante um choque adverso como o que estamos viver, é suposto o Estado contrariar."

Para já, o Governo anunciou o aumento para 20 euros do benefício do Autovoucher, durante o mês de março, para combater o aumento dos preços dos combustíveis provocado pela invasão russa da Ucrânia. O Executivo não excluiu, no entanto, a tomada de outras medidas, caso seja necessário.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que, segundo as autoridades de Kiev, já fez mais de 2000 mortos entre a população civil.

Os ataques provocaram também a fuga de mais de 1,7 milhões de pessoas para os países vizinhos, de acordo com a ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

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