Lucro do BCP cai 60% para 59,5 milhões de euros nos primeiros nove meses

Resultado líquido do Millennium bcp foi de 59,5 milhões de euros entre janeiro e setembro, penalizado pela atividade na Polónia e por custos com saídas.

O resultado líquido do Millennium BCP nos primeiros nove meses do ano atingiu 59,5 milhões de euros, numa queda de 59,3% face aos 146,3 milhões apresentados no mesmo período de 2020.

O banco explica em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que o resultado inclui "provisões de 313,5 milhões de euros para riscos legais associados a créditos em francos suíços concedidos na Polónia" e 87,6 milhões de euros em Portugal, resultantes de "custos de ajustamento do quadro de pessoal".

O Millennium sublinha que "excluindo os itens específicos, o resultado operacional core do Grupo atingiu 938,7 milhões de euros, correspondendo a um crescimento de 8,3%".

Ontem, a instituição financeira liderada por Miguel Maya comunicou que o Bank Millennium, detido pelo BCP na Polónia, apresentou prejuízos de 181,2 milhões de euros entre janeiro e setembro.

O resultado foi "influenciado por provisões relacionadas com riscos legais associados à carteira de créditos hipotecários concedidos em moeda estrangeira no montante total de 346,3 milhões de euros.

Em Portugal, o resultado líquido totalizou 115,2 milhões de euros (crescimento de 25,3% face aos 91,9 milhões de euros obtidos no mesmo período de 2020).

O banco justifica a melhoria com "o crescimento dos proveitos core, a redução das necessidades de constituir provisões da carteira de crédito e a evolução positiva dos resultados em operações financeiras".

Em setembro de 2021 o banco tinha 6.511 trabalhadores em Portugal. O valor representa uma queda de 9% face aos 7.152 que tinha em setembro do ano passado.

Em 30 de setembro de 2021, o montante total de crédito concedido ao abrigo das linhas Covid-19 garantidas pelo Estado "ascendia a 2.632 milhões de euros, o que representa um crescimento de 16,4% face ao valor que, no final de 2020, o banco tinha desembolsado".

Estas linhas de crédito foram disponibilizadas "principalmente a pequenas e médias empresas portuguesas, tendo permitido apoiar mais de 18 mil clientes. No final do terceiro trimestre de 2021 estas exposições representavam cerca de 7% da carteira de crédito total referente à atividade em Portugal".

O final das moratórias do Estado em setembro levou a que no final desse mês o valor dos créditos suspensos tenha caído a pique: 106 milhões de euros nas famílias (3.269 em junho) e 624 milhões nas empresas (4.066 no final do primeiro semestre).

Dos 730 milhões de euros de créditos em moratória que transitaram para outubro, 85% dizem respeito a operações de crédito contratadas por empresas e 15% por famílias.

Malparado de créditos com moratórias não é "motivo de preocupação especial"

O presidente do BCP diz que, em termos gerais, "não há motivo de preocupação especial" sobre o malparado dos créditos cujas moratórias terminaram, apesar de haver problemas específicos com o pagamento das dívidas.

"Desde o primeiro momento dissemos que o que estava em questão não era uma bomba relógio, era um escudo protetor e os números demonstram-no bem. [...] Há problemas com algumas árvores, mas a floresta não tem problema", afirmou Miguel Maya.

Em conferência de imprensa de apresentação dos resultados do terceiro trimestre afirmou que globalmente "não há motivo de preocupação especial" com crédito vencido de empréstimos que beneficiaram de moratórias, que o banco "está tranquilo relativamente à evolução das moratórias, mas que isso não quer dizer que não haja situações preocupantes".

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