Sindicato diz que redução de entre 100 a 150 trabalhadores no Santander é "inaceitável"

Santander Totta chegou a acordo para a saída de 68 trabalhadores no primeiro trimestre deste ano, no âmbito da reestruturação do banco, e prevê eliminar mais 100 a 150 postos de trabalho.

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) disse esta quarta-feira que é "injusta e inaceitável" a redução de quadros "unilateral" no Santander, que irá afetar entre 100 e 150 trabalhadores, de acordo com um comunicado.

O Santander Totta chegou a acordo para a saída de 68 trabalhadores no primeiro trimestre deste ano, no âmbito da reestruturação do banco, e prevê eliminar mais 100 a 150 postos de trabalho "cujas funções se tornaram redundantes".

O banco divulgou esta quarta-feira que o lucro entre janeiro e março caiu 71,2% para 34,2 milhões de euros, com os resultados a incluírem uma provisão de 164,5 milhões de euros para fazer face à reestruturação dos recursos humanos do banco.

O SNQTB considera "uma ofensa aos trabalhadores do Banco Santander a decisão desta entidade bancária de iniciar, a partir de hoje, 28 de abril de 2021, procedimentos tendentes a uma redução de quadros unilateral, que incluirá entre 100 a 150 trabalhadores".

Em declarações à TSF, o presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários diz estar estupefacto com a redução unilateral de trabalhadores levada a cabo pelo banco Santander. Paulo Gonçalves Marcos considera que não existe razão alguma que justifique a decisão do banco espanhol, uma vez que a instituição está sólida em termos financeiros e suspeita que a unidade do banco em Portugal esteja a pagar por culpas alheias.

Na mesma nota, o presidente do SNQTB, Paulo Gonçalves Marcos, disse que "procedimentos tendentes a uma redução unilateral ou outros eufemismos para significar medidas não consensuais de redução do quadro de pessoal constituem uma ofensa aos trabalhadores do Banco Santander", acrescentando que "esta medida hoje anunciada [...] é completamente injusta, inqualificável, injustificada e inaceitável".

No comunicado, o sindicato adiantou que "tomou conhecimento da comunicação de hoje do Banco Santander, relativa aos lucros obtidos no primeiro trimestre de 2021, onde o banco informa que registou uma provisão de 164,5 milhões de euros (assim reduzindo os lucros) para fazer face a uma reestruturação, em especial do quadro de recursos humanos, através de medidas unilaterais que visam entre 100 a 150 trabalhadores cujas funções se tornaram alegadamente redundantes".

O presidente do SNQTB "rejeita qualquer medida unilateral do banco que mais lucros teve e tem em Portugal. Tanto mais que, reconhecidamente, o Banco Santander tem em curso um plano de reformas antecipadas por acordo, que devem continuar a ser a matriz a seguir".

Além disso, o sindicato recordou que o banco "negou pública e reiteradamente a existência do processo de reestruturação que agora invoca e que o sindicato sempre afirmou que existia, tendo o SNQTB interpelado a administração do Banco Santander sobre o este mesmo processo".

No comunicado dos resultados dos primeiros três meses do ano, o banco refere que "a otimização da rede de agências implicou a redução de 427 para 386 balcões (entre dezembro de 2020 e março de 2021)", isto é, o fecho de 41 balcões, e que foram "concretizados 68 acordos de saída do banco com colaboradores abrangidos".

"Nesta data são iniciados os procedimentos tendentes a uma redução unilateral que incluirá os demais colaboradores cujas funções se tornaram redundantes, medida que incluirá entre 100 e 150 colaboradores", acrescenta.

Adicionalmente, acrescentou, está a decorrer um programa geral voluntário de saídas para colaboradores com 55 ou mais anos de idade (Plano 55+), que representam atualmente uma fatia de cerca de 950 trabalhadores do banco.

"Em junho, após a conclusão deste plano, será aprovado um plano de reestruturação, cujo âmbito e dimensão será determinado em função dos resultados do Plano 55+", referiu.

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