Vinhos criados por antigos alunos ajudam a projetar Enologia da UTAD

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, é a única em Portugal com marca própria de vinhos.

O "Alumni UTAD" são vinhos produzidos por antigos estudantes do curso de Enologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real. Ajudam a projetar o nome da instituição e os seus cursos através de ofertas nacionais e internacionais. A receita dos que são vendidos contribui para reforçar a ação social para alunos mais carenciados.

Este ano foram produzidos quatro vinhos diferentes. Um espumante juntou-se, pela primeira vez, a um Porto, a um tinto e a um branco. Estes três já tinham tido outros exemplares nas três colheitas anteriores dos "Alumni UTAD".

O "Special Aged Reserve Tawny", assinado pelo enólogo Carlos Agrellos, foi concebido com lotes de vinhos do Porto produzidos e envelhecidos em madeira na Quinta do Noval. "Tem à volta de 17 anos, que é o tempo que levo na Enologia no Douro", salienta.

O tinto foi criado por Maria Serpa Pimentel e representa a sua "identidade e as raízes ligadas à região do Baixo Corgo, no Douro". Nasceu da combinação de uvas de Touriga Francesa e Touriga Nacional oriundas das vinhas da Quintas da Pacheca e de Vale de Abraão. Tem dois anos de engarrafamento, o que "favoreceu imenso o vinho", que está "prontíssimo a beber", pois é "muito redondo e muito equilibrado".

Inspirada por uma memória do seu percurso académico, Sandra Gonçalves, responsável pelos vinhos Dona Maria, produziu um branco com uvas da região de Estremoz, provenientes de vinhas com 17 anos de idade e situadas a 400 metros de altitude. "Tem muita fruta, como limão e pera. Como foi estagiado em barricas de madeira também tem notas de especiarias", descreve a enóloga, sublinhando que a sensação de o beber "é muito boa" e põe as pessoas "felizes".

Esta é a primeira vez que o "UTAD Alumni Wine Collection" tem um espumante. Trata-se de uma criação de Jorge Dias, diretor da Gran Cruz. O "Douro Clássico 2016" prova que "o Douro pode ser mais que vinho do Porto e vinhos tintos muito concentrados", destaca. Na sua opinião, a região demarcada e regulamentada mais antiga do mundo pode também produzir "vinhos brancos de uma elegância e frescura enormes".

Os quatro enólogos deste ano já escolheram os que vão produzir os vinhos "Alumni UTAD" de 2022: Martta Reis Simões vai apresentar um tinto, Sandra Alves terá a responsabilidade de criar um branco, Tiago Alves de Sousa vai acrescentar o vinho do Porto e Sofia Caldeira vai tentar surpreender com um novo espumante.

O reitor da UTAD, Emídio Gomes, ficou tão encantado com a colheita deste ano que avisou os já nomeados para 2022 que "é cada vez difícil" superar a qualidade dos néctares anteriores. Apesar de convencido que "é sempre possível melhorar", a nova obra "tem de envolver alguma ajuda divina".

É o desafio da excelência que ajuda Portugal a produzir melhores vinhos. O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, que participou na apresentação dos novos quatro "Alumni UTAD", realçou que "os enólogos têm dado um contributo muito grande para a melhoria dos vinhos portugueses e para a projeção internacional do nosso país".

O ministro salientou ainda que os enólogos formados em Vila Real "também são responsáveis por um crescimento muito grande das exportações do vinho". E é graças as essas vendas para outros países que há cada mais estrangeiros a procurarem experiências de enoturismo em Portugal.

"A UTAD é a única universidade portuguesa que, desde 2016, faz nascer vinhos de autor, pelas mãos dos seus ex-alunos de Enologia", destaca o reitor, Emídio Gomes. "Isto faz parte de uma estratégia de afirmação da marca UTAD no mundo dos vinhos e da viticultura", acrescenta. As verbas obtidas com a venda destinam-se ao "reforço da ação social" da universidade.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro começou a formar enólogos há 25 anos.

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