"Agora, é tempo de sarar as feridas." Costa não exclui novo entendimento à esquerda

O primeiro-ministro diz que os partidos não deixaram sequer que o OE2022 chegasse à especialidade e sublinha que as negociações decorreram até ao último minuto.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou esta segunda-feira que não quer mais polémicas relacionadas com o chumbo do Orçamento do Estado para 2022.

"Não vou abrir feridas que importam sarar. O país não quer mais polémicas, o país quer que nos concentremos a cumprir o nosso dever, que é encontrar soluções", disse Costa, em entrevista à RTP, reafirmando que o Governo foi "ao limite dos limites" na negociação com a esquerda. O primeiro-ministro lamenta que tenham sido outros temas não relacionados com o Orçamento do Estado que tenham estado na base do chumbo.

O chefe do Governo sublinhou que os partidos políticos "não deixaram sequer que o Orçamento do Estado chegasse à especialidade". "Fomos ao limite do limite. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Estivemos a negociar até ao último minuto."

Para António Costa houve falta de vontade na continuidade do Orçamento do Estado para 2022. "Se tivesse havido vontade não tinha chumbado. O debate foi morto à nascença", frisou.

O líder dos socialistas recusou que uma maioria absoluta do PS seja perigosa para a democracia, mas acredita que um reforço no PS, nas próximas legislativas, mesmo sem maioria, pode fazer com que os partidos da esquerda reflitam sobre eventuais futuros entendimentos. O primeiro-ministro reforçou o apelo a uma solução estável.

"Depois destas eleições nada será como dantes. Nós vamos a eleições, ou o PS tem maioria para poder governar sozinho, ou o PS é claramente reforçado nestas eleições. Acho que isso inevitavelmente também implica que os nossos parceiros à esquerda também reflitam. Na minha opinião é preciso dar ao PS as condições necessárias para prosseguir a trajetória que temos vindo a desenvolver desde 2016. Se é com maioria absoluta, se é obrigando o Bloco de Esquerda e o PCP a repensarem o que fizeram e a darem condições de governabilidade era o ideal", explica.

"Peço o voto dos portugueses para uma solução estável para quatro anos de Governo. Com ou sem maioria [absoluta], não deixarei de dialogar", acrescentou.

Apesar do chumbo do Orçamento, o Governo vai avançar com o aumento do salário mínimo. Costa adiantou que o PS vai incluir no programa eleitoral as medidas acordadas com a esquerda e que ficaram pelo caminho com o chumbo do OE2022. O primeiro-ministro explicou que uma das medidas que vai alcançar no início do próximo ano será o aumento do salário mínimo.

"Nós vamos fazer tudo aquilo que é normal ser feito e é corrente fazer no início do ano, o aumento do salário mínimo para 705 euros que é a proposta que temos na Concertação Social", disse, reforçando que também será feita a atualização anual dos salários dos funcionários públicos e das pensões.

Questionado sobre se vai recandidatar-se à liderança do PS em 2023, caso vença as próximas eleições e volte a formar Governo, o líder dos socialistas respondeu: "Obviamente, se estiver em funções como primeiro-ministro, claro que me candidato à liderança do PS."

Pelo contrário, no caso de uma derrota eleitoral do PS a 30 de janeiro, Costa admitiu que "não ficaria na liderança do PS".

"Isso significaria abrir um novo ciclo de governação. Quem está há seis anos como primeiro-ministro em funções, como eu tenho estado, com muita honra em servir Portugal e os portugueses em momentos tão difíceis como estes que vivemos, quando chegamos a esta fase, os portugueses conhecem-me, sabem quais são os meus defeitos, espero que saibam também quais são as minhas qualidades e, portanto, decidirão livremente. E eu acho que os portugueses saberão julgar tudo e decidir o que é que querem para futuro", rematou.

O Presidente da República convocou eleições legislativas antecipadas para 30 janeiro de 2022 na sequência do "chumbo" do Orçamento do Estado do próximo ano, no parlamento, a 27 de outubro.

O Orçamento teve apenas o voto favorável do PS e os votos contra das bancadas do PCP, BE e PEV, além dos deputados da direita, PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega. O PAN e as duas deputadas não inscritas abstiveram-se.

A perda do apoio parlamentar no Orçamento do Estado de 2022 foi um dos motivos invocados por Marcelo Rebelo de Sousa para justificar a dissolução do parlamento e a antecipação das eleições.

A Constituição determina que as legislativas antecipadas têm de se realizar nos 60 dias seguintes à dissolução do parlamento - que só poderá ser decretada, portanto, a partir de 01 de dezembro.

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* Atualizado às 22h30

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