Atacar esquerda e recusar diálogos. BE acusa Costa de "estar mais preocupado" com maioria absoluta

O BE acusou o PS de estar "mais preocupado" em alcançar uma maioria absoluta do que em resolver os problemas do país, mas reiterou a disponibilidade para dialogar, centrando-se mais no conteúdo do que na forma.

O Bloco de Esquerda (BE) acusa António Costa de atacar os partidos à esquerda, depois do chumbo do Orçamento do Estado e da marcação de eleições antecipadas. Depois da entrevista do primeiro-ministro, o líder parlamentar bloquista, Pedro Filipe Soares, reforça que Costa não procura consensos, mas sim uma maioria absoluta a 30 de janeiro.

O primeiro-ministro sublinhou, à RTP, que "a solução boa era ter havido um Orçamento viabilizado, sem colocar em causa o futuro do país", reforçando ainda que o Governo "foi até ao limite dos limites", mas não podia aceitar exigências do PCP sobre o aumento do salário mínimo para os 800 euros mensais e do Bloco de Esquerda sobre o fim da aplicação do fator de sustentabilidade.

Pedro Filipe Soares entende, por isso, "que existe uma tentativa de fazer acusações dos partidos à esquerda". "Não serve para resolver os problemas em cima da mesa, mas apenas para perpetuar o que já foi iniciado no debate Orçamental: a ambição de maioria absoluta do PS", atira.

Pedro Filipe Soares dá o exemplo do corte do fator de sustentabilidade, que o primeiro-ministro considera "insustentável", mas o BE pede "números e provas", e não apenas palavras.

"Repetiu uma acusação, sem apresentar qualquer número e sem a enquadrar financeiramente. Trata-se da eliminação do corte que os pensionistas têm quando acedem às reformas de forma antecipada. O primeiro-ministro diz que a medida é insustentável, mas sem mostrar qualquer número ou estudo que a demonstre", acusa.

O líder parlamentar do BE sublinha que o corte do fator de sustentabilidade "é sustentável e necessária para responder às pessoas".

O BE reuniu-se com o ministro do Planeamento, Nélson de Sousa, e com o secretário de Estados dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, para analisar o programa Portugal 2030, que o Governo está a apresentar aos partidos.

Pedro Filipe Soares questionou o ministro sobre o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e garante que nada está em causa com a crise política.

"Não há nenhuma consequência sobre a dissolução do Parlamento e a marcação de eleições. O PRR advém de um conjunto de metas e calendários que já foram elaborados pelo Governo, e o dinheiro para 2021 e parte de 2022 já existe", adianta.

O bloquista garante ainda que "todas as obrigações de calendário que Portugal tinha que cumprir" já foram cumpridas pela Assembleia da República, faltando "poucas" que dizem respeito ao trabalho do Governo.

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