Conselheiros do CDS votam ordem dos trabalhos sem decisão sobre voto secreto

Mesquita Nunes pede decisão urgente da mesa do Conselho, sobre voto secreto. João Almeida fala em "incidente processual".

O Conselho Nacional do CDS-PP já está a decorrer online e de forma conturbada, com as duas fações em confronto e muitos requerimentos. A reunião começou com mais de uma hora de atraso e está a ser marcada pela discussão em torno do voto secreto, para que cada membro do Conselho Nacional vote a moção de confiança à direção de Francisco Rodrigues dos Santos, sem ser identificado.

Adolfo Mesquita Nunes fez uma interpelação à mesa do Conselho Nacional, e exige saber "de que forma vai ser feita a votação". O antigo vice-presidente do partido, que quer chegar à liderança, lembra que o Conselho de Jurisdição emitiu um parecer a indicar o voto secreto.

"Sem essa informação, não consigo ter opinião sobre o ponto de ordem de trabalhos agora. Precisamos de ter essa informação agora."

Os apoiantes de Mesquita Nunes querem ainda que, na ordem de trabalhos, conste a convocação de um congresso extraordinário. O antigo vice-presidente de Assunção Cristas afirma que não tem resposta sobre o tema.

"Precisamos de saber agora de que forma vai ser feita a votação na moção de confiança. Vai ser respeitado o parecer do tribunal do partido ou não? Considera a possibilidade de incluir o congresso nacional eletivo?", questiona a mesa do conselho.

Ora, Filipe Anacoreta Correia, presidente da mesa do Conselho, refuta a ideia de Adolfo Mesquita Nunes e garante que a decisão sobre o voto só será tomada após a decisão sobre a ordem de trabalhos.

"Não tenho problema nenhum em relação ao assunto que referiu. Mas como é que podemos falar sobre a votação se ainda não temos ordem de trabalhos?", questiona.

Anacoreta Correia garante, ainda assim, que o assunto será discutido entre os conselheiros.

João Almeida fala em "incidente processual" e "deliberação ilegal"

João Almeida acusa o presidente do conselho de "criar um incidente processual". O deputado do CDS e anterior candidato à liderança lembra que nunca se votou uma ordem de trabalhos no partido.

"O normal é considerar-se que a ordem de trabalhos está estabilizada a partir do momento em que a recebemos. Há uma intenção de prolongar os trabalhos e não percebo o interesse da mesa nisso."

João Almeida questiona ainda o presidente da mesa do CDS sobre se existe um parecer vinculativo sobre a decisão do Conselho de Jurisdição, sobre o voto secreto: "O presidente não esclarece que votação vai fazer, como não diz ao Conselho Nacional se recebeu alguma pronuncia do conselho de jurisdição. Se recebeu, não é propriedade sua, tem de transmitir a todos os conselheiros, sob pena de nos estar a encaminhar para uma deliberação ilegal", aponta.

Surge ainda a possibilidade de a reunião ser aberta aos jornalistas. Filipa Correia Pinto propôs ao conselho nacional "abrir" os trabalhos, e aguarda decisão.

Os apoiantes de Adolfo Mesquita Nunes argumentam que a decisão do Conselho de Jurisdição do partido, que deu razão aos críticos da direção de Francisco Rodrigues dos Santos e apoiantes de Adolfo Mesquita Nunes, é vinculativa. O pedido tinha sido apresentado pela distrital de Lisboa e vai contra o que era defendido pela atual cúpula centrista. Com cinco votos a favor e dois contra, João Gonçalves Pereira, líder da distrital do partido que apresentou o requerimento, aplaudiu, na sexta-feira, a posição tomada pelo Conselho de Jurisdição.

"Esta decisão prova que fizemos bem em perguntar ao tribunal do partido sobre a questão do voto secreto. Num partido democrático, este tipo de votações só podem ser feitas de voto secreto para garantir que é a plena liberdade de cada um dos conselheiros", disse à TSF o centrista, realçando que a decisão "tem de ser cumprida já", o que obriga a que cada membro do Conselho Nacional, vote a moção de confiança à direção de Francisco Rodrigues dos Santos, sem ser identificado.

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