"CDS está no limiar da extinção. Se não tiver juízo corre o risco de desaparecer"

O alerta é de António Pires de Lima. O histórico centrista vai ao congresso deste fim de semana, em Aveiro, avisar o partido dos riscos que corre, se não construir uma estratégia diferente.

É preciso "fazer uma reflexão sobre as causas do declínio eleitoral do CDS". A recomendação surge pela voz de um dos notáveis do partido que este fim de semana tem a sua reunião magna, em Aveiro, de onde deverá sair o próximo líder. Convidado especial do programa Bloco Central, da TSF, desta semana, António Pires de Lima não tem medo de carregar nas tintas e deixa um alerta: "O CDS está no limiar da extinção e, se não tiver juízo, corre o risco de desaparecer".

Pires de Lima espera que os discursos dos candidatos à liderança sejam "inclusivos", até porque, para o ex-ministro da Economia, um partido que "está reduzido à sua expressão de 4% venha a discutir neste congresso purismos ideológicos, de quem é mais democrata-cristão, quem é mais liberal ou quem é mais conservador". Lembra que o partido é demasiadamente pequeno para estar a alimentar "uma discussão inútil com essas características".

É preciso que o CDS saiba aprender com os erros do passado, diz António Pires de Lima, e que construa uma posição "mais construtiva e mais útil aos olhos dos portugueses". O centrista pede uma meditação sobre a estratégia que foi seguida nos últimos dois anos, em que o CDS se afirmou com "discursos demasiadamente autossuficientes e sem a capacidade de ser um partido dialogante com as forças que estão no seu espaço político - nomeadamente o PSD - e também ter uma relação construtiva com quem está no poder". O resultado deste caminho, conclui, foi o de um acantonamento do partido que acabou por "ser percecionado pelo nosso potencial eleitorado como um partido que não é útil".

"Há candidatos que não me inspiram nenhuma confiança"

António Pires de Lima só anuncia o seu apoio no discurso que vai fazer no congresso, já este sábado, mas, à TSF, adianta que dos cinco candidatos à liderança, "há alguns que não me inspiram nenhuma confiança". O ex-ministro da economia teme mesmo que o CDS possa sair "muito mal representado" deste congresso, caso um desses candidatos vença. "Há pessoas que se apresentam a este congresso com discursos folclóricos, radicais, provocatórios e que eu gostaria que não colhessem no congresso", diz Pires de Lima.

O centrista diz que existe "um espírito sectário no CDS" e que se não existir cuidado "pode voltar a prevalecer" tornando o partido "mais conhecido pelos seus sectarismos e pelas suas dissensões do que por representar este espírito do centro e da direita moderada e pragmática".

Se o partido seguir esse caminho, Pires de Lima não pretende, ainda assim, abandonar o CDS. Garante que "está empenhado" e que se "sente bem no CDS". Ainda que não tenha manifestado -tal como muitos outros notáveis do partido - para se candidatar à liderança: "Nunca tive essa disponibilidade", explica António Pires de Lima, confessando ao mesmo tempo que essa ausência de disponibilidade resulta em grande medida de "uma falta de vontade".

António Pires de Lima é o convidado desta semana do Bloco Central, da TSF.

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