CDS quer ministras da Saúde e da Segurança Social e DGS no Parlamento

O partido quer ouvir as justificações para os surtos de Covid-19 nos lares de idosos.

O CDS-PP requereu este sábado a audição urgente, no parlamento, das ministras da Saúde e da Segurança Social e da diretora-geral da Saúde, tendo em conta os surtos de Covid-19 em lares de idosos, anunciou o partido.

No requerimento, assinado pelos deputados Ana Rita Bessa e João Almeida, enviado à agência Lusa, o CDS-PP pede "com carácter de urgência as audições" da ministra da Saúde, Marta Temido, da ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

"O CDS entende que é dever do Parlamento acompanhar tudo o que se relaciona com a pandemia gerada pela doença provocada pelo SARS-CoV-2, designada por Covid-19, designadamente as medidas que estão - ou deveriam estar - a ser tomadas em Portugal", lê-se no requerimento.

O partido refere "os vários surtos que, desde o início da pandemia, se vêm registando em lares (IPSS ou outros), cujo caso mais grave ocorreu na Estrutura Residencial para Pessoas Idosas da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, provocando 162 casos de infeção -- 80 utentes e 26 profissionais do lar, e 56 pessoas da comunidade --, tendo morrido 18 doentes -- 16 utentes e uma funcionária do lar e um homem da comunidade (de acordo com dados de 11 de agosto da Autoridade Municipal de Proteção Civil, até final de dia 9 continuavam ativos nove casos, dois deles hospitalizados em Évora, em enfermarias)".

O CDS-PP lembra, que "o Ministério Público iniciou, em julho, uma investigação" a este surto e que "a Ordem dos Médicos (OM) realizou uma auditoria para averiguar a reação do lar face à situação, cujo relatório já foi divulgado, e conclui que a instituição não cumpria as orientações da Direcção-Geral da Saúde, e, entre outros factos, que vários doentes terão estado alguns dias sem as terapêuticas habituais, por falta pessoal para as preparar e administrar, tendo alegadamente havido casos de preparação e administração de fármacos por pessoal sem formação".

"Segundo informação divulgada publicamente, continuam ativos surtos em cerca de 70 lares, com mais de 500 idosos infetados", alerta.

Ministra diz que dimensão dos surtos "não é demasiado grande"

O partido faz também referência à entrevista dada por Ana Mendes Godinho ao semanário Expresso, publicada este sábado, na qual a ministra admitiu falta de funcionários nos lares, lembrando que há um programa para colmatar essa falha, mas considerou que a dimensão dos surtos de Covid-19 "não é demasiado grande em termos de proporção".

"Infelizmente tem vindo a provar-se, nalguns casos da pior forma, que os utentes dos lares são um dos grupos de maior risco e com uma taxa de mortalidade de Covid-19 muito elevada", escreveu o CDS-PP.

Já hoje, o líder do partido, Francisco Rodrigues dos Santos, pediu a demissão da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, na sequência da entrevista ao Expresso.

O presidente democrata-cristão declarou ao semanário que "a continuidade em funções" daquela responsável pela tutela "é uma questão de saúde pública - que se mantenha em férias e dê lugar a outro".

Também hoje, o PSD anunciou que irá chamar as ministras da Segurança Social e da Saúde ao parlamento, para Ana Mendes Godinho explicar a situação num lar de Reguengos de Monsaraz, e Marta Temido falar sobre o plano de combate à Covid-19.

O requerimento do PSD, de acordo com o partido num comunicado hoje divulgado, será entregue na segunda-feira.

O PSD faz também referência à entrevista da ministra Ana Mendes Godinho ao Expresso, "onde a governante desvaloriza a situação dos lares e a sua fiscalização", no âmbito da pandemia de Covid-19.

"Por considerar que a ministra se está a demitir das suas funções, o PSD irá chamar também ao parlamento a ministra da Saúde, para saber qual o plano do Governo para prevenir e combater, de forma articulada, os focos de contágio relacionados com a Covid-19", lê-se no comunicado.

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