Crise política? César questiona se esquerda quer "derrubar o Governo"

O presidente do PS desafia BE e PCP a dizerem se querem o consenso ou se pretendem apenas "justificar como desaprovam o OE, derrubam o Governo e dão uma oportunidade à direita".

A publicação de Carlos César na rede social Facebook foi colocada, na última noite, no final de mais um dia de indefinição sobre o destino da proposta de Orçamento de Estado para 2022.

No momento, em que nenhum dos partidos que tem viabilizado, nos últimos anos, os orçamentos do Governo socialista parece disponível para acender uma luz verde, o presidente do PS, que assume não participar "no processo negocial que decorre, trabalhosamente, entre o Governo e os partidos", lança um forte ataque a PCP e Bloco de Esquerda.

"Sinto que BE e PCP, como os partidos mais representativos na interlocução com o PS e o Governo, têm de tornar mais inequívoco, e dizer mais claramente aos portugueses, o que os move: se só justificar como desaprovam o OE, derrubam o Governo e dão uma oportunidade à direita, ou se, pelo contrário, procuram construir consensos que afirmem à esquerda a governação do País (sem, evidentemente, ocultarem as suas divergências e as suas diferenças)", escreve Carlos César, depois de explicitar que "quem quer colocar um problema, que só noutra ocasião e contexto pode ser colocado e apreciado, não está centrado na discussão e aprovação do Orçamento de que Portugal tanto precisa, mas sim na sua desaprovação e ou na censura e no derrube do Governo e no termo da Legislatura".

Carlos César defende que o PS tem mostrado "humildade" na negociação mas afirma que "a gestão cuidadosa das finanças públicas é indispensável" e que a abertura "não deve significar abdicar do sentido de responsabilidade que um partido, com a dimensão e a contribuição histórica do PS, tem perante as portuguesas e os portugueses", ou seja, desistir das "contas certas".

"O PS permanece apostado nessa construção. Já quanto ao BE e ao PCP, fico sem perceber se, afinal, se sentem melhor a fazer oposição a um governo de direita do que a fazer acordos com um governo de esquerda", acusa.

Acentuando o dramatismo, o presidente socialista considera que "era melhor para Portugal evitar que, como anunciou o Presidente da República, seja desencadeado agora um processo eleitoral antecipado, que prejudicará fortemente a execução adequada dos vultuosíssimos investimentos que o PRR proporciona e que fará com que o rigor que isso exige seja substituído pela agitação e a precariedade que o tempo eleitoral gerará".

Avisando que "pensar que ao Governo e ao PS tudo pode ser exigido, e que tudo estes devem aceitar, é, isso sim, uma postura política de incompreensão e de arrogância", César remata como começou: "Portugal não é um negócio entre partidos".

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