"Eleições atípicas e imprevisíveis." Marques Mendes acredita que tanto o PS como o PSD podem ganhar

Marques Mendes só acreditará em sondagens "lá para meados de janeiro", porque entretanto tudo pode mudar. Se as eleições fossem hoje, no entanto, "o Partido Socialista seria um claro vencedor". O conselheiro de Estado culpa o Bloco e o PCP pela crise política e desresponsabiliza o Governo.

Luís Marques Mendes, conselheiro de Estado e antigo líder do PSD, acredita que é preciso dar tempo aos partidos e aos eleitores para decidirem o que querem para o país, e salienta que as eleições devem ser marcadas só depois de feitos os debates entre os diversos candidatos.

Em declarações à TSF, antes do Conselho de Estado marcado para esta quarta-feira, sobre a dissolução do Parlamento, o social-democrata analisa que Marcelo Rebelo de Sousa deve ponderar acerca do tempo necessário para que os debates decorram. "O Presidente da República, ao marcar o dia em concreto das eleições, deve ter em atenção aquilo que são os interesses nacionais. Para mim, de longe, o mais importante é haver tempo para um debate realmente esclarecedor."

"Tem de se encontrar uma data que permita que antes da campanha eleitoral, como é tradição, haja debates, que normalmente levam umas duas semanas a 20 dias", sublinha Marques Mendes, que elenca os "debates entre partidos, que hoje são ainda mais do que há dois anos", e os "debates entre candidatos a primeiro-ministro, sobretudo por este ponto que é muito pouco sublinhado: estas não são umas eleições normais".

É um momento de confusão junto da opinião pública, que merece esclarecimento, advoga o antigo líder do PSD. "Estas são umas eleições atípicas, imprevisíveis. A maior parte das pessoas ainda não percebeu por que é que aconteceu esta crise, a maior parte das pessoas ainda não percebeu exatamente as consequências desta crise, e, sobretudo, acho que 90% - ou mais - dos portugueses ainda não perceberam que saídas há para esta crise a seguir às eleições."

Por isso, argumenta: "Isto tem de ser debatido com calma; não é no meio do Natal, do fim de ano e de rabanadas à mistura."

Para Marques Mendes, a responsabilidade da crise aberta, desencadeada pelo chumbo do OE não é do Governo. O conselheiro de Estado acredita que o PS fez tudo o que era possível para evitar a marcação de eleições antecipadas. Assim, atribui as culpas, em primeiro lugar, ao PCP, que considera ser "uma espécie de autor moral e material deste assassínio desta geringonça", e, em segundo lugar, à "grande cumplicidade ativa do Bloco de Esquerda".

"Acho que o Governo não é responsável pela abertura desta crise. Acho que o Governo tem muitas culpas, muitos erros, muitos defeitos, mas este não. Acho que esta culpa é da responsabilidade do PCP e do Bloco."

O também comentador político não aposta no vencedor das próximas eleições. Marques Mendes diz que até meados de janeiro tudo pode mudar e que mesmo as sondagens não devem ser levadas a sério até ao arranque da campanha eleitoral, por isso só acreditará nas que comecem a surgir em meados de janeiro.

"Aos olhos de hoje, com os dados que se conhecem, eu acho que o Partido Socialista seria um claro vencedor", começa por dizer. "Daqui a dois meses, quando estivermos em janeiro, em cima de eleições, com debates feitos, com entrevistas realizadas, com vários confrontos, julgo que tudo pode acontecer. O PS pode ganhar, o PSD pode ganhar. Vai estar tudo muito incerto."

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