"Gato escaldado", "miss mundo" ou como PS e CDS não se entendem em nada

António Costa e Francisco Rodrigues dos Santos discutiram "liberdade de escolhas", e não se entenderam em nenhum dos temas em debate.

António Costa e Francisco Rodrigues dos Santos debateram a saúde, o ensino e os impostos em Portugal, e divergiram em todos os temas. O líder do CDS apelidou o discurso de Costa como "de miss mundo", que defendeu "liberdade". O atual primeiro-ministro recusou ainda definir uma nova data para que cada português tenha um médico de família: "gato escaldado tem medo".

O debate começou com Francisco Rodrigues dos Santos a lançar um desafio a António Costa, pedindo que o secretário-geral do PS "fizesse justiça a Paulo Portas e Passos Coelho" por terem "libertado o país da banca rota".

Um pedido que não teve resposta da parte do atual primeiro-ministro, que se mostrou sempre no polo oposto de Francisco Rodrigues dos Santos, a começar pela saúde. O primeiro-ministro garantiu que que não é "desnatando o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", desviando recursos para outros setores, "que se dá melhor saúde aos portugueses".

Já o líder do CDS reforçou que o partido "quer uma qualidade de serviço público que satisfaça os cidadãos, independentemente do prestador de serviços", defendendo vales para que se possa aceder aos hospitais privados.

"Os doentes oncológicos sabem que não tiveram tratamento durante este tempo, porque o SNS não lhes respondeu", acrescentou o centrista.

O Governo prometeu um médico de família para cada português, objetivo que ainda não foi alcançado, mas Costa garante que a meta continua, sem se comprometer com uma data. "Gato escaldado tem medo, por isso não vou assumir uma nova data. O que julgamos necessário é prosseguir o objetivo", apontou.

Os partidos destacaram diferenças também no ensino, com Francisco Rodrigues dos Santos a acenar com uma das bandeiras do CDS: tornar a disciplina de "cidadania" optativa.

"Isto é a porta aberta ao totalitarismo. Nem na Venezuela, nem em Cuba, um ministério quer chumbar alunos que têm aproveitamento por um exercício de liberdade dos pais, que querem educar os filhos consoante os seus valores", justificou.

Na resposta, António Costa defendeu que a disciplina "é tão importante como todas as outras, porque a escola tem a função básica de formar pessoas". O primeiro-ministro deu até o exemplo do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que é "uma garantia fundamental da liberdade".

Francisco Rodrigues dos Santos descreveu esse discurso como "prosaico, de miss simpatia e miss mundo", mas defendeu que "nada disso é ensinado na disciplina".

"A partir do momento em que se teoriza sobre a sexualidade, as famílias têm a liberdade de declinar que a escola possa transmiti-la aos seus filhos", defendeu.

Nos impostos, novas críticas de parte a parte, com o CDS a propor que as famílias com dois ou mais filhos desçam um escalão de IRS. António Costa defendeu, no entanto, que a "medida é desigual" e beneficia, principalmente, os mais ricos.

"Essa visão de paraíso na terra não existe. Esse exemplo é muito claro da visão injusta que a direita tem da política fiscal. Nós propomos que as famílias deduzam 900 euros na coleta do IRS a partir do segundo filho. A diferença na vossa proposta é que as crianças valem tanto mais quanto mais alto é o rendimento das famílias", afirmou, acrescentando que "sempre que a direita falou em choque fiscal a primeira coisa que fez foi aumentar impostos".

António Costa prometeu ainda que "a primeira coisa que a maioria PS fará é aprovar o Orçamento do Estado que foi chumbado", e que desdobrará o terceiro e o sexto escalões do IRS, majorando os apoios às famílias com filhos.

TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS DE 2022

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de