Jerónimo de Sousa e os "sonhos" de PS e PSD. "Maioria absoluta e bloco central"

Jerónimo de Sousa diz que com maiorias, o Governo "fica de mãos livres para fazer o que bem entende".

Jerónimo de Sousa acusa o Governo de se querer libertar dos comunistas, e de sonhar com uma maioria absoluta ou de um bloco central com o PSD. O secretário-geral do PCP diz que o partido está a ser alvo de uma ofensiva pela rejeição do Orçamento, mas garante que a culpa é do Governo que quis avançar para eleições.

Num jantar com "camaradas", para celebrar o centenário do PCP, o secretário-geral do partido lamentou que "se comece novamente a ouvir falar do bloco central", e deixou recados à direita e ao PS.

"Corrigidas as zangas lá na direita, do PSD e CDS, eles lá sonham outra vez com o Bloco Central. Outros com a maioria absoluta. É a luta dos trabalhadores que decide e determina, mas onde se fazem a leis é importante ter uma voz capaz de romper com maiorias absolutas", sustenta.

Jerónimo de Sousa acrescenta que com maiorias, o Governo "fica de mãos livres para fazer o que bem entende", e dá o exemplo do Sistema de Avaliação de Desempenho da Administração Pública (SIADAP), que é há vários anos contestado pelos trabalhadores.

Sobre a direita, que tem uma nova oportunidade nas eleições de janeiro, o dirigente comunista lembra a geringonça, que avançou "porque o PCP deu a solução".

"Há alguma incompreensão em algumas mentes, com a ameaça da direita. Ameaça da direita? Não nos lembramos quem queria entregar a chave do Governo em 2015?", questiona.

Jerónimo de Sousa sublinha que foi graças "à iniciativa e criatividade do PCP que se deu a solução de um governo minoritário", já que o PS, na noite das eleições, "saudou a vitória do PSD".

O líder comunista rejeita, por isso, que as eleições sejam uma porta de entrada para a direita, e lamenta que o partido esteja a ser alvo de uma ofensiva, pela rejeição do Orçamento, "com apenas dez deputados na Assembleia da República".

"Durante uma semana nunca tinha visto a minha cara tantas vezes nas televisões e nos jornais. Sempre com uma ideia subjacente: o PCP é o culpado. Mas dez deputados conseguem determinar o que 220 deputados fazem? Que grande PCP", atirou, sob muitos aplausos dos militantes do partido.

E antes das eleições, um novo aviso para o PS. Os avanços apalavrados com o PCP, nas negociações para o Orçamento do Estado, como o aumento do salário mínimo, "podem e devem ver a luz do dia já no início de 2022".

E acrescentou: "Só se o PS não quiser". Jerónimo de Sousa falou aos militantes cerca de vinte minutos, quase sempre com um discurso improvisado, algo pouco comum no líder comunista.

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