Jovem brilhante ou perigoso controlador? Quem é 'Chicão', o novo líder do CDS?

Chegou ao 28.º Congresso como líder da Juventude Popular, sai como presidente do CDS. O jovem que tem nas mãos o futuro do partido, após um mau resultado nas eleições Legislativas, é desconhecido de muitos portugueses.

Francisco Rodrigues dos Santos chega a líder do CDS aos 31 anos, depois de quatro anos e alguns dias à frente da Juventude Popular (JP). No percurso pela 'jota' centrista, 'Chicão' - como era conhecido dentro de portas e agora cá fora - deu nas vistas pela visão conservadora, que recusa apelidar de retrógrada, pelas ideias e pela agenda, que muitas vezes o colocaram no centro de polémicas.

O discurso eloquente e assertivo marca o estilo forte de um Francisco Rodrigues dos Santos que não esconde o apoio fundamental de um núcleo duro, que se estende aos jovens centristas e que conquistou o Congresso do CDS.

Quem o conhece e acompanhou o percurso político, sempre acreditou no desfecho que este Congresso reconheceu. A ambição levaria Francisco a líder do CDS. Liderança, carisma e coragem são palavras repetidas vezes sem conta por quem o conhece e apoia, para caracterizar o líder que sucede a Cristas e o homem que é visto como um exemplo.

Quem o segue e o vê como amigo, garante que é um homem de "bom coração", capaz de se rodear das pessoas certas, de mobilizar e de ser dinâmico.

"Espírito do culto ao chefe"

Na passagem pela JP, Francisco Rodrigues dos Santos formou um exército leal, mas colecionou também vários ódios de estimação. Do lado da oposição, o até agora líder da juventude centrista recebe acusações de intolerância e críticas ao "pouco poder de encaixe". 'Chicão' é acusado de tentar "controlar" opiniões e de incutir um "espírito militar de culto ao chefe", com uma "política de comigo ou contra mim".

Acusações nas quais o novo líder do CDS não se revê. Assegura que não é um "controleiro" e estranha que este tipo de críticas apenas tenha surgido quando se candidatou à liderança do partido e a poucos dias do Congresso, acrescentando que sempre foi eleito com "maiorias bastante expressivas".

Disciplina de um militar

A disciplina está-lhe no sangue e muito se deve ao facto de ter sido interno no Colégio Militar. Filho de uma advogada e de um oficial do exército, Francisco Rodrigues dos Santos admite que essa educação moldou e aperfeiçoou o seu caráter e o preparou para as adversidades do dia-a-dia.

Na verdade, lembra muitas vezes como "regra de ouro" o código de honra da instituição na vida política: "Ser honesto no êxito, digno na adversidade e confiante face às dificuldades."

A finta ao PSD que o levou até ao CDS

Francisco Rodrigues dos Santos admite que esta nem era a hipótese mais provável. O avô, que o inspirou na política, era militante do PSD em Oliveira do Hospital. Porém, foi no partido que agora lidera que encontrou espaço para os valores que defende.

A ideia de uma direita que não é relativista, centralizadora, que não procura ser experimentalista e que não é socialista abriu-lhe um caminho no CDS que acabou por se tornar em algo mais. Tanto mais que chegou até aqui.

O percurso rápido e eficaz

No percurso académico, o novo líder do CDS formou-se em Direito na Universidade de Lisboa e trabalha como consultor jurídico na área de contencioso geral numa sociedade de advogados.

Antes de começar a vida política ativa, Francisco Rodrigues dos Santos teve alguns cargos na associação de estudantes, mas o sucesso começaria a ser construído mais tarde.

Em 2007, filiou-se na Juventude Popular e três anos depois, em 2011, chegou ao CDS, ainda nos tempos de Paulo Portas, uma referência que mantém na sua vida. O percurso na 'jota' foi de ascensão rápida, já que 'Chicão' só começou a dedicar-se à vida política alguns anos após a filiação. Candidatou-se a líder em 2015 e conquistou os jovens centristas.

Apesar de nunca ter conseguido um lugar de deputado, Francisco Rodrigues dos Santos assumiu funções como adjunto no gabinete do ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, no Governo de coligação de PSD e CDS. É deputado municipal em Lisboa desde 2017 e, em 2013, foi eleito membro da Assembleia de Freguesia de Carnide.

O prémio da Forbes que o colocou entre os mais promissores

Um dos momentos altos da vida profissional de 'Chicão' aconteceu em 2018, quando foi considerado pela Forbes um dos 30 jovens abaixo dos 30 anos mais brilhantes, inovadores e influentes da Europa. O prémio surgiu pelo trabalho na JP, onde conseguiu alcançar os 20 mil militantes e duplicar os membros eleitos nas autárquicas.

Um coração azul e verde

Além da democracia-cristã, 'Chicão' traz um leão ao peito. O amor pelo Sporting é conhecido e o jovem surgiu, após uma crise no clube, ao lado de Frederico Varandas, tendo feito parte do conselho diretivo dos leões até dezembro. Nessa altura, acabaria por se demitir para se focar na corrida à liderança do CDS.

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