Nuno Melo faz apelo ao líder do CDS: "Que por uma vez não pense em si e não tenha medo da democracia"

O eurodeputado candidato à liderança do CDS apela a Francisco Rodrigues dos Santos para colocar os interesses do partido acima dos interesses próprios, para que as internas se realizem no sentido de "fazer alguma diferença nas próximas eleições legislativas".

Nuno Melo lança um apelo ao líder do CDS: "que por uma vez não pense em si", mas no partido. O eurodeputado reage assim, em entrevista à TSF, às declarações de Francisco Rodrigues dos Santos, que, numa entrevista à RTP, garantiu que não pretende sanear o seu adversário interno, mas espera que Nuno Melo aceite as decisões do Conselho Nacional do partido. O líder centrista deixou ainda claro que está disposto a integrar, desde que Nuno Melo esteja disposto a respeitar.

"Tendo em conta tudo aquilo que está a acontecer ao CDS, tendo em conta o gravíssimo estado de perturbação em que o partido ficou, precisamente porque alteraram as regras do jogo quando o jogo estava lançado, os candidatos estavam anunciados, os militantes estavam mobilizados, só faço um apelo a Francisco Rodrigues dos Santos." E que apelo é esse? "Que por uma vez não pense em si e pense no CDS, não tenha medo da democracia, vá a votos e garanta que uma liderança, qualquer que seja, a do Francisco ou a minha, possa, reforçada, neste momento e apesar de todas as dificuldades, tentar fazer alguma diferença nas próximas eleições legislativas."

"Estou disponível para todos os atos de integração, que, de resto, devem acontecer com a intervenção de todos os militantes do partido em congresso", disse ainda.

Questionado sobre a data para a realização de eleições antecipadas, Nuno Melo diz apenas que gostaria que a escolha do dia desse tempo ao centro direita estar em condições de disputar essas eleições. "Não quero fazer comentários sobre aquela que é uma decisão que cabe ao senhor Presidente da República. Gostava apenas que pudesse ser uma decisão que salvaguardasse a capacidade de o espaço político de centro-direita estar em condições num plano de igualdade de armas para disputar estas legislativas"

O eurodeputado Nuno Melo tinha afirmado que iria manter a candidatura à liderança do partido mesmo que o congresso eletivo se realize depois das eleições legislativas, e acusou a direção de uma "pulsão manifestamente totalitária".

Em entrevista ao jornal 'online' Observador, Nuno Melo foi questionado se vai a votos mesmo que o congresso seja adiado para depois das legislativas e foi taxativo na resposta: "Sim, claro que sim".

"Essa é para mim uma questão de princípio, muito embora todos saibamos que a política é suficientemente dinâmica para de hoje para amanhã acontecer qualquer coisa", salientou.

E deixou um aviso aos adversários, apontando que "não é pelo facto de se comportarem como se estão a comportar" que o "vão fazer desistir".

"Estou aqui porque foi convocado um congresso, não porque queira fazer um assalto ao poder", salientou.

Nuno Melo indicou também que não sairá do partido, como fizeram por exemplo os ex-dirigentes Adolfo Mesquita Nunes ou António Pires de Lima, que anunciaram no fim de semana a sua desfiliação do CDS-PP.

"Fico neste partido a lutar por aquilo que considero que são já questões de legalidade e decência, muito mais do que o simples direito estatutário de ser candidato a um congresso", disse.

Nuno Melo voltou a criticar o adiamento do congresso (marcado para 27 e 28 de novembro), decidido pelo Conselho Nacional de sexta-feira que foi impugnado, e defendeu que "um partido institucional não salvaguarda apenas as aparências, mesmo do ponto de vista estritamente legal".

O candidato à liderança considerou igualmente que se tem assistido a "práticas de forte pulsão totalitária no CDS", apontando que "normalmente os ditadores só prevalecem quando os homens bons baixam os braços".

"Esta promiscuidade entre diferentes órgãos para que se legitime, com violação de regras, o adiamento de um congresso que os próprios quiseram, numa disputa que a dado passo acharam que podiam perder, esta é uma pulsão manifestamente totalitária, muito desconforme com os pergaminhos do CDS, que sempre foi um partido nas disputas muito democrático e sempre deu igualdade de armas às pessoas na contenda", criticou.

O também líder da distrital de Braga do CDS-PP defendeu que "o partido pacifica-se rapidamente se o congresso acontecer" e disse esperar que "aquelas cabeças possam ser iluminadas pelo senso óbvio de quem tem de entender que está nas suas mãos a resolução deste problema".

"O que é normal em qualquer pessoa que se queira de boa-fé num partido político é que no fim de dois ciclos que são coincidentes a liderança tenha oportunidade de escolher os protagonistas com que vai estabelecer a base programática que é aprovada no congresso", frisou.

Na sua ótica, o "descrédito em que o partido tem sido lançado tem sido tão grande" e "o país não gosta disto que está a acontecer e menos gostam os eleitores e militantes do CDS".

Na entrevista, Nuno Melo disse também que não falou com o Presidente da República sobre a data das eleições legislativas, e que apesar de ter pedido uma audiência não tem uma data prevista para acontecer, mas considerou que Marcelo Rebelo de Sousa "está munido de todas as informações necessárias".

O dirigente centrista pediu também ao chefe de Estado que tenha "em conta o tempo necessário para que os partidos à direita estabilizassem as suas lideranças".

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