"O CDS não é uma tribo." Pires de Lima vaiado após 'puxão de orelhas' a 'Chicão'

O clima do Congresso do CDS aqueceu quando Pires de Lima subiu ao palco e dirigiu algumas palavras a Francisco Rodrigues dos Santos. A plateia respondeu com apupos ao histórico centrista.

António Pires de Lima subiu ao palco do Congresso do CDS de dedo em riste, mas acabou por ser assobiado. O antigo ministro da Economia quebrou o tabu e revelou que é apoiante de João Almeida. No seu discurso, começou cedo a 'malhar' em Francisco Rodrigues dos Santos, um dos candidatos à liderança do partido. E não fez novos amigos.

Pires de Lima tratou de sublinhar que, na moção global, o jovem candidato escreve coisas como "a quadrilha das esquerdas unidas" e explicou o que o diz o dicionário acerca dessa palavra: "Bando de ladrões, assaltantes ou malfeitores". "Há quem goste e há até quem aplauda" estas expressões, diz Pires de Lima. São, no entanto, palavras nas quais não se revê.

Para o antigo governante, "quem assim qualifica os adversários políticos, quem trata hoje desta forma maniqueísta os adversários", irá fazer o mesmo "no CDS a quem tiver posições diferentes da sua".

Pouco antes, Pires de Lima tinha deixado um alerta ao jovem democrata-cristão: "Se te queres dar ao respeito, começa por mostrar respeito aos teus adversários."

E começaram os apupos.

"O CDS não é uma tribo", disse. "Vamos dar tempo ao Francisco para apurar a sua cultura democrática".

E aí foi vaiado e saiu do palco com uma despedida: "Até sempre, CDS!"

"Não é muito normal impedirem-me de dizer aquilo que penso"

Depois dos assobios no palco, quando deu um 'raspanete' a Francisco Rodrigues dos Santos, Pires de Lima disse à TSF que está sempre preparado para dizer o que pensa.

"Não é muito normal no meu partido haver gente que procura impedir-me de dizer aquilo que penso - acho que é a primeira vez -, mas ficou o alerta para os militantes mais moderados, tranquilos, que gostam de construir sem partir para perceberem que tipo de espírito pode tomar conta do partido se Francisco Rodrigues dos Santos [vencer]", justificou o antigo ministro da Economia.

Pires de Lima admite que Rodrigues dos Santos "é um jovem cheio de qualidades, mas a quem falta apurar a sua política democrática".

O "até sempre", no fim do discurso, significa, "estar sempre com o CDS, independentemente de ser aplaudido ou assobiado" e não uma virada de costas ao partido.

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