O plano "não vai para o bolso". Moreira da Silva promete "andar por aí" (mas os ilustres não apareceram para ouvir)

Moreira da Silva diz que "volta para a militância base", numa noite rodeado por jovens e sem nomes sonantes.

Na sede de campanha de Jorge Moreira da Silva, cedo se percebeu que a derrota ia ser uma realidade, logo na primeira contagem de votos que dava uma larga vantagem a Luís Montenegro. A noite eleitoral foi à imagem dos resultados, com desânimo e rostos fechados.

Sem figuras ilustres do PSD, Moreira da Silva falou para uma plateia com cerca de 50 apoiantes, com aplausos só quando o candidato derrotado apareceu, para garantir que, apesar do estrondo da derrota, vai continuar a andar por aí.

"Neste momento sou um militante de base, contribuirei para a unidade. Mas, obviamente, não me peçam para dizer, quando tenho 51 anos, que nunca mais me vou apresentar a uma eleição. Isso seria um disparate", atira.

Os apoiantes chegaram à sede de campanha a conta gotas, principalmente jovens, desanimados por uma derrota que ficou evidente logo à primeira contagem de votos. E, das altas fugiras do partido, nenhuma apareceu, nem mesmo mandatário da candidatura, Francisco Pinto Balsemão.

Pouco antes das dez da noite, a derrota já era reconhecida pelos elementos da candidatura, como fez o coordenador da campanha de Jorge Moreira da Silva, Miguel Goulão, aos microfones da TSF.

"É evidente que reconheço a derrota", disse, na mesma altura em que Luís Montenegro assegurou os votos que faltavam para ser eleito como novo presidente do PSD.

Apesar do resultado, e de os eleitores terem reprovado o programa do candidato, Moreira da Silva mostra-se fiel às suas ideias e "não se conforma com o estado de Portugal".

"O pior que aconteceria esta noite era que, de repente, metesse o meu plano para Portugal no bolso, abdicasse de todas as minhas ideias, em nome de uma perspetiva cínica. Vou contribuir para a unidade do partido, mas não me peçam para que abdique da visão que tenho para Portugal", atirou.

E acrescentou: "Eu não desisti de Portugal, não me resigno com o definhamento e não me conformo que um país que tem tudo para vencer, como água, vento, sol, cultura, mar e uma língua com um potencial enorme, esteja permanentemente adiado no seu destino".

Sobre o passo seguinte, é ainda uma incógnita (até para Moreira da Silva) que só a partir de segunda-feira vai pensar no futuro profissional, depois de se ter demitido da OCDE para se candidatar à liderança do partido.

Vai ser preciso esperar pelo o congresso do início de julho para saber o tipo de oposição vai fazer a Luís Montenegro, já que deixou em aberto a possibilidade de avançar com uma lista ao conselho nacional, apesar da garantia de contribuir para a unidade, "sem nunca abdicar de pensamentos e valores próprios".

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