"Para os nossos adversários, quando o combate aperta, até fascistas somos"

Foi sempre me altos decibéis que Francisco Rodrigues dos Santos se dirigiu aos congressistas. Começou com muitas palmas e acabou com quase toda a sala de pé.

Se dúvidas havia que Francisco Rodrigues dos Santos é forte candidato à liderança do CDS, elas desapareceram com este discurso.

Aos congressistas, apresentou-se como um homem "completamente solto e livre." Garantiu encabeçar uma candidatura sem "donos, nem padrinhos" que não é "sucessora de coisa nenhuma".

Começaram aí as críticas aos adversários.

Esta, a de Francisco Rodrigues dos Santos, "não é uma candidatura com fontes anónimas" que passam informações à comunicação social, com o objetivo de "condicionar o congresso a partir de fora". Não, o jovem candidato "conservador", como se apelidou, não quer usar os jornalistas para chegar à liderança do partido. Isso parece ser mais uma função entregue à JP, a Juventude Popular, que entusiasticamente aplaude o discurso sempre que o seu líder faz mais um ataque ou demonstra força. E tão bem coordenados estão, sempre com um olho no telemóvel e outro no púlpito.

"Não vamos pedir autorização para defender as nossas ideias, nem os nossos valores. É por isso que não é boa ideia convocarmos os adjetivos com que os nossos adversários utilizam para nos catalogar". Para eles, continuou Francisco Rodrigues dos Santos, "ultra-conservadores somos todos, reacionários somos todos, neoliberais somos todos, confessionais e radicais e quando o combate aperta e a febre aumenta, até fascistas somos todos".

Este é um "partido essencial para a democracia", continuava o candidato, que lembrava também que o partido fundado por Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa "não é uma loja de conveniência". Logo depois, garantia que o CDS não é um "partido de contrafação", mas sim um "partido de estabilidade e Governo". Caso contrário, o CDS seria um "objeto político não identificado".

O jovem conservador de direita não quer um CDS que vá a todas ou que mude de ideologia. Deixou-o claro na altura em que referiu que "nunca formos um produto de catch all party, somos um partido de estabilidade".

E trouxe Adriano Moreira ao discurso: "Não precisamos de inventar a roda", disse em tempos o histórico do CDS. "Os nossos valores são o eixo da roda. Acompanham a roda, mas não andam".

E mais uma vez foi entusiasticamente aplaudido. Pelos jotas, mas não só. Aplausos que iam deixando cada vez mais satisfeitos os elementos mais próximos da candidatura de Francisco Rodrigues dos Santos, que alargavam sorrisos à medida que o discurso avançava.

Interrupções que levaram mesmo o candidato a pedir ao presidente da mesa para lhe dar mais tempo: "Um breve desconto pelas palmas", pediu a Luís Queiró.

"O CDS é um partido popular, de todos os portugueses, que não recebe lições de nenhum outro. Não vamos ser o BE da direita", assegurou Francisco Rodrigues dos Santos.

O candidato a líder do CDS "dispensa a mediação da imprensa" para passar a mensagem do partido e desvalorizou o facto de não ser deputado na Assembleia da República. Francisco Rodrigues dos Santos precisaria que Cecília Meireles abdicasse do Parlamento para ser deputada, mas garantiu que, por ele, a deputada não abandona a Assembleia.

Até porque o combate que pretende fazer será "no terreno", fazendo da "rua", o seu "escritório". É um CDS renovado e capaz de surpreender os eleitores que o candidato pretende construir.

Falando da história do CDS nos municípios, Francisco Rodrigues dos Santos afirmou que quer ver o partido voltar a presidir dezenas de autarquias.

De resto, que "arregaçar as mangas" e "combater o governo socialista" de forma a que uma "maioria de direita governe Portugal".

Sem fazer cedências, Francisco Rodrigues dos Santos terminou deixando claro que "o compromisso é com Portugal".

Um discurso que terminou com a sala de pé, a aplaudir, enquanto o candidato ainda discursava e com Luís Queiró, o presidente a mesa, a pedir-lhe para terminar. Terminou como começou, com o entusiasmo no máximo.

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