Pinto Luz assume-se como "voz dissonante" na lua-de-mel entre PSD e Rio

Miguel Pinto Luz continua a criticar que os sociais-democratas se tenham tornado "mais pequenos em números, em resultados e mais assustadoramente mais pequenos em mentalidade", e admite ser uma voz "dissonante" na lua-de-mel agora vigente dentro do partido após as internas.

Miguel Pinto Luz, entrevistado pela TSF, revelou acreditar que foi uma "voz discordante" no meio desta "lua-de-mel" que agora se vive no PSD. "É assim que eu exerço a minha militância."

"Parece que este Congresso estava meio morno", disse o autarca de Cascais, que garante não ter discursado com o propósito de agitar as águas, mas de apontar que hoje o PSD "é um partido mais pequeno, sem os liberais e os conservadores, com menos diversidade e mais unicidade de opiniões".

Miguel Pinto Luz referiu ainda que o PSD se "afunilou ao centro e esqueceu todos os outros", vivendo hoje numa "unicidade", onde falta agregar outras visões do mundo, "senão é um partido de um homem só".

O ex-candidato à liderança do PSD Miguel Pinto Luz mostrou-se, no discurso do Congresso do PSD este sábado, "preocupado" com o caminho que está a ser percorrido pela liderança social-democrata, afirmando que, se se mantiver, o partido ficará "assustadoramente mais pequeno em mentalidade".

"Se alguns nesta sala estão preocupados com as sobras do dr. António Costa em janeiro deste ano, há muitos, como eu, que estão preocupados com o que vai sobrar do nosso partido a dois ou três anos daqui. Se continuarmos assim, deveremos ficar mais pequenos em números, em resultados e mais assustadoramente mais pequenos em mentalidade", advertiu Miguel Pinto Luz.

O candidato às eleições diretas do PSD em 2019 falou no 39.º Congresso do PSD, que decorre até domingo em Santa Maria da Feira (Aveiro), tendo feito o discurso mais crítico da liderança até ao momento.

Pinto Luz disse que discordou e continua a discordar "do caminho traçado pelo atual líder do PSD", e criticou a postura de Rui Rio - que já admitiu viabilizar um Governo socialista caso o PS ganhe as eleições sem maioria absoluta - afirmando que os sociais-democratas devem "transformar o país e devolver-lhe a capacidade de sonhar" sem contar com o PS.

"Não o devemos fazer a fazer contas de quando e como precisamos do PS, como tenho ouvido aqui, devemos fazê-lo contra a vontade do PS. Foi sempre assim, será sempre assim", salientou.

Abordando a ausência de militantes próximos de Paulo Rangel nas listas de deputados do PSD à Assembleia da República, Pinto Luz salientou que não o preocupa tanto "aqueles que foram escolhidos nas listas", mas antes aqueles que a direção não foi capaz de "chamar a incluir nas listas".

"Pensar em grande seria trazer independentes e a gente de valor que existe na sociedade civil, seria trazer as dezenas de valiosos quadros que deixaram o CDS, criar pontes para a IL (...), pensar em grande é saudar a diversidade de ideias, somar diferenças, agregar, mobilizar o partido, não para as guerras imaginárias, mas para transformar o país", defendeu.

ACOMPANHE NA TSF O 39.º CONGRESSO DO PSD

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