Pedro Pinto promete "envolver todas e todos" se for eleito líder parlamentar do PSD

Pedro Pinto justifica a candidatura à liderança parlamentar do PSD num texto enviado aos deputados.

O deputado e antigo vice-presidente do PSD Pedro Pinto prometeu que, se for eleito presidente da bancada, fará reuniões semanais, dizendo que "o tempo em que as decisões eram tomadas no gabinete do líder parlamentar acabou".

Num texto enviado esta sexta-feira a todos os deputados do PSD, a que a TSF teve acesso, Pedro Pinto - que anunciou na quarta-feira a intenção de se candidatar à liderança da bancada do PSD - refere que, para promover a unidade e pluralismo, não apresentará lista candidata às eleições de coordenadores e vice-coordenadores, deixando implícito que apenas levará a votos os nomes para a Comissão Permanente, que incluem o presidente, quatro a oito 'vices' e um a três secretários.

"Deposito profunda confiança em todas e todos os candidatos que serão eleitos nossos coordenadores e vice-coordenadores, e com eles trabalharemos no sentido de reforçar o PSD e o seu Grupo Parlamentar", justifica.

No texto enviado aos deputados do PSD, Pedro Pinto justifica a candidatura à liderança parlamentar do PSD - que terá de ser formalizada até terça-feira com a subscrição mínima de 5% dos deputados, para eleições a realizar dois dias depois, na quinta-feira - com a necessidade de "envolver todas e todos na discussão dos grandes temas nacionais debatidos na Assembleia da República".

"O tempo em que as decisões eram tomadas no gabinete do líder parlamentar acabou! Esse método é típico dos anos 80 em que um homem providencial se encontrava em condições de tomar as relevantes decisões políticas com que se debatia", defendeu.

O antigo 'vice' do ex-líder Pedro Passos Coelho, e que foi deputado pela primeira vez na II legislatura (1980-1983), diz acreditar que as decisões políticas "necessitam de ser debatidas e tomadas num espírito de abertura, transparência, diálogo e concertação permanente".

"Total solidariedade" com Rui Rio

Pedro Pinto justifica a candidatura com um "imperativo de consciência" inspirado no legado dos líderes do partido "desde Francisco Sá Carneiro a Rui Rio", e manifesta a sua "total solidariedade pessoal e política" com o atual presidente do PSD e da bancada, sublinhando reconhecer-lhe "a abnegação, a convicção e a coragem para empreender as transformações que Portugal reclama".

No entanto, diz candidatar-se "com o propósito de inverter a tendência de funcionalização" que considera sentir-se no partido nos últimos anos e que contraria a sua natureza, identidade e história.

"Mas, assumo esta posição, sobretudo porque acredito que posso, com a minha experiência, com a minha determinação, criatividade e sentido de missão, liderar o grupo parlamentar em conjunto com cada uma e cada um de vós", refere.

Em termos organizativos, Pedro Pinto garante que, se for eleito, o grupo parlamentar passará a reunir-se semanalmente (atualmente o regulamento fala em reuniões mensais, mas a última realizou-se em março, também devido à pandemia), de forma a que "todas as iniciativas apresentadas pelo PSD na Assembleia da República sejam previamente apresentadas e discutidas na reunião do Grupo Parlamentar, bem como todas as indicações do PSD a órgãos externos".

Sem prejuízo da regra da disciplina de voto, Pedro Pinto diz ainda que pretende estabelecer "uma exceção para os deputados eleitos pelas Regiões Autónomas para que, sempre que em causa esteja o interesse regional a liberdade de voto seja a regra aplicada".

Reuniões para assegurar as várias preocupações regionais

O candidato à liderança do grupo parlamentar do PSD pretende ainda alterar o regulamento interno da bancada para que um representante de cada organização autónoma do PSD (Juventude Social-Democrata, Trabalhadores Sociais-Democratas e Autarcas Sociais-Democratas) participe nas reuniões da direção do grupo.

"Promoveremos uma reunião quinzenal entre a Direção do Grupo Parlamentar e os respetivos coordenadores regionais e distritais dos deputados do PSD, para assegurar que as posições do Grupo Parlamentar refletem as várias preocupações regionais e locais", promete ainda.

Estas eleições para escolher o sucessor de Rui Rio como líder parlamentar chegaram a estar marcadas para março, mas foram adiadas devido à pandemia de covid-19 e, depois, para a atual direção concluir a reestruturação administrativa no grupo parlamentar e na sede.

O atual primeiro vice-presidente de Rio, Adão Silva, confirmou na segunda-feira à Lusa que será candidato, tal como tinha anunciado em março, e que irá manter os nomes que propôs há seis meses, e que passam pela continuidade dos atuais 'vices' de Rui Rio e acrescentando como novidade nas vice-presidências a deputada Catarina Rocha Ferreira.

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