Rodrigues dos Santos critica Mesquita Nunes e diz-se disponível para ir a votos após autárquicas

O presidente do CDS recorda que a atual direção teve de conviver com novos partidos à direita, "depois de uma gestão fracassada".

Francisco Rodrigues dos Santos centrou o discurso no Conselho Nacional do CDS a criticar a oposição interna, liderada por Adolfo Mesquita Nunes, afirmando que só estará disponível para ir a votos após as eleições autárquicas. Depois de um início de trabalhos atribulado, o presidente do partido passou em revista o primeiro ano de mandato, marcado pela falta de união no CDS e os fracos resultados nas sondagens.

"Estou como sempre estive. Completamente solto, e completamente livre. Nenhum português perdoa a nenhum partido político que coloque a sua ambição partidária à frente do país: para mim, o país está sempre à frente do partido e o partido estará sempre à frente dos meus interesses pessoais".

Francisco Rodrigues dos Santos refuta assim as ideias de quem "acha que a política é um jogo de interesses". "O CDS tem sido uma componente de alternativa política, como nos Açores".

O líder centrista lembrou ainda que assumiu a presidência depois do pior resultado eleitoral do CDS, não virando as costas ao partido. "O CDS precisa de uma estrutura saudável, unida e forte. Fui eleito líder do CDS há pouco mais de um ano, não abandonei o meu partido depois do pior resultado da sua história. Não disse que a minha liderança era naquele timing ou já não estaria disponível para liderar o partido", disse, numa clara crítica a Adolfo Mesquita Nunes.

"Fui escolhido pelas bases do CDS, por gente humilde e anónima, ignorada pela mesma cúpula do partido que beneficiou destas bases para satisfazer as suas ambições. Provou-se que nunca fui visto pela cúpula do partido como presidente legítimo. O facto de estarmos reunidos hoje ilustra bem este ponto. A vontade dos militantes que me elegeram por dois anos foi olimpicamente ignorada por uma pequena parte do partido que me quer derrubar", afirmou.

Rodrigues dos Santos recordou que a atual direção do CDS teve de conviver com novos partidos à direita, "depois de uma gestão fracassada de quem guiou o partido até ao congresso de Aveiro".

O atual presidente do CDS quer que a oposição interna, encabeçada por Adolfo Mesquita Nunes, explique "o programa que construíram, as opções de vida que tomaram e dívida exorbitante que deixaram e piores resultados de sempre que tiveram".

"Fiz as pontes que me permitiram e pedi a todos os órgãos que se empenhassem na consolidação do nosso caminho. Convoquei todos, e todos ouvi", garantiu.

Congresso? Só depois das eleições autárquicas

Rodrigues dos Santos mostrou-se convicto na aprovação da moção de confiança que vai apresentar aos conselheiros, e mostrou-se disponível para discutir a liderança do partido após as eleições autárquicas, se os militantes assim entenderem.

"Já o disse na semana passada e reafirmo-o: o meu lugar é dos militantes e está sempre à sua disposição. Se, a seguir às eleições autárquicas, estiverem na disposição de ponderar a realização de um congresso, saibam que não me oporei a que essa discussão tenha lugar. O apelo que deixo hoje é firme e genuíno: que não demos um péssimo exemplo ao país e que respeitemos o trabalho de quem se tem entregado de corpo e alma ao partido em cada concelho do nosso país."

O líder centrista lembra que a direção do partido tem preparado as eleições autárquicas de forma "diligente", sustentando que uma mudança de direção afeta muitos autarcas e a reputação do CDS. "Tem um efeito devastador na organização das nossas listas", disse.

O presidente do CDS recorda que o PS venceu as eleições autárquicas em 2016, "mas não pode voltar a vencê-las em 2021".

"São os resultados eleitorais que permitem fazer testes à liderança, não são as sondagens", diz, lembrando que o partido integra o Governo nos Açores após as eleições regionais. Sobre as presidenciais, Rodrigues dos Santos apontou aos críticos apoiaram outros candidatos e "acabaram a noite a disputar o último lugar".

O centrista, de 32 anos, apelou à maturidade dos militantes "para saber interpretar o sofrimento dos cidadãos, mostrando que o CDS é um partido relevante". Assume, no entanto, que cometeu erros, garantindo que fará "mais e melhor".

"A direita social em que acredito, que só o CDS pode representar, está empenhada em salvar vidas, com uma governação à altura das circunstâncias", lembrando que Portugal é o recordista na taxa de mortos pela Covid-19 na Europa.

Rodrigues dos Santos anuncia novo conselho consultivo

O presidente do CDS-PP anunciou, durante o seu discurso, a criação de um Conselho Estratégico e Programático, composto "maioritariamente por independentes, mas também por militantes" e que terá "natureza consultiva", funcionando como "órgão de aconselhamento da Comissão Política Nacional".

Tem como principal missão "as questões essenciais da condução política do partido, o seu posicionamento estratégico e o aprofundamento programático das suas propostas".

Os múltiplos apoios e incentivos que recebi confirmam a certeza de que é desejável o reforço da afirmação do CDS sob a minha liderança. Decidi, por isso, implementar um Conselho Estratégico e Programático maioritariamente composto por independentes sem vínculo ao CDS, que terá natureza consultiva e funcionará junto da comissão política nacional do partido

Rodrigues dos Santos explica que o órgão terá como principal missão "o aconselhamento na condução política do partido, no seu posicionamento estratégico e no aprofundamento programático das suas propostas".

O CDS está reunido num Conselho Nacional para aferir a autenticidade da direção de Francisco Rodrigues dos Santos, depois de um ano de mandato. Adolfo Mesquita Nunes, que forçou a realização da reunião, já assumiu que será candidato se o partido for a votos.

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