Ser do Chega no Alentejo. "Isso é que é realizar abril"

Quem são e o que procuram os seguidores do Chega no Alentejo, região onde a esquerda domina em toda a linha? Na convenção do partido, que decorre em Évora, são unânimes em rejeitar o epiteto de extrema-direita. Há quem tenha viajado do CDS, quem já tenha votado em quase todos os partidos, mas também não falta um antigo simpatizante do Bloco de Esquerda que passou agora para o outro da barricada.

André António esteve a um passo de arrumar a política na gaveta, descontente com as alternativas nos boletins de voto. "Votei em vários partidos. Cheguei a votar no PCP, votei no PSD e cheguei a votar no CDS . Depois houve uma altura em que pensei em deixar de votar e só não o fiz por respeito aos meus avós", assume.

Até que o nascimento do Chega lhe devolveu a motivação para regressar à atividade política. Ao ponto de vestir orgulhosamente a camisola do partido pelas ruas de Évora, uma terra que exibe hegemonia de esquerda, dividida entre PCP e PS.

E sem receio de assumir as suas opções. "Cria-se a ideia de que não se pode falar em Portugal. Não é pelo facto de eu viver numa terra de esquerda que não posso ter direito à minha afirmação", diz, reforçando se sente confortável por se do Chega no Alentejo. "Isso é que é realizar abril", justifica.

E o que leva alguém que esteve vários anos ao lado do Bloco de Esquerda no Alentejo a deslocar-se para o outro extremo? É o caso de Ricardo Cardoso. "Eles começaram a defender tudo aquilo que eu não aceito" explica, apontando a "ideologia de género", mas, sobretudo ao que chama dos "coitadinhos que vivem na impunidade. Mas sempre que nós falamos é racismo, apesar da democracia se fazer com debate de ideias e não com pensamento único", diz Ricardo, assumindo que encontrou no Chega "o porto de abrigo político".

Já Luís Madeira fez uma ponte política bem mais estreita. Chegou ao partido de André Ventura depois da passagem pelo CDS, onde foi candidato à Câmara de Évora. Viria a desfiliar-se do partido por discordar das coligações com o PSD antes dos atos eleitorais e aproveitou a Convenção para deixar já um recado à liderança do Chega.

"Espero que concorra sempre sem coligações. Se as fizer é só à posteriori, mas que arranje pessoas dos respetivos concelhos e distritos que sejam capazes de dar a cara", aconselhou este militante.

Recorde-se que André Ventura abriu a convenção admitindo que poderá haver já "surpresas" nas autárquicas de 2021, acreditando os militantes alentejanos que alguns concelhos da região poderão ser terreno fértil para a obtenção de bons resultados. Sobretudo no distrito de Portalegre.

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