"Dança de cadeiras" difícil. Sentar Chega sem maçar CDS obriga a obras no Parlamento

O CDS queixa-se de que se André Ventura ficar na segunda fila terá de atravessar a bancada do CDS para se sentar. O PAN tem um problema parecido. Pode ser preciso fazer obras no hemiciclo.

Com um Parlamento fragmentado, está difícil conciliar ideologias e entraves mais prosaicos como um corrimão, na ala mais à direita do hemiciclo.

A proposta feita pelo Presidente do Parlamento senta o André Ventura "na segunda fila, ficando o deputado do Chega no lado direito da Sala das Sessões". Ora como lembrou, na última conferência de líderes, o centrista Telmo Correia os lugares que CDS e Chega irão dividir são "precisamente aqueles que têm o pior acesso em todo a Sala das Sessões".

"Não há nenhum outro Grupo Parlamentar que tenha no meio dos seus lugares, um Deputado eleito por outro partido, como poderá acontecer ao CDS-PP", lembrou Telmo Correia sublinhando que, para se sentar, André Ventura teria de passar pelos deputados centristas. Foi, aliás, o que aconteceu na última legislatura quando o CDS tinha 19 deputados: "os deputados para se sentarem na primeira fila no lado direito tinham que pedir passagem, em virtude da barreira que constitui o corrimão", explicou Telmo Correia, de acordo com a súmula da reunião.

O CDS sugeriu que "seria melhor que o Deputado do Chega passasse para a 3.ª fila ou mais para dentro".

Na semana passada quando decorreu a reunião dos líderes parlamentares, Ferro Rodrigues "chamou a atenção para que tudo pode ainda ser revisto na primeira reunião da Conferência de Líderes após o início da próxima Legislatura" mas compreendeu as questões levantadas pelos centristas, admitindo que é "natural que natural que depois existam reclamações".

Uma das soluções, em aberto, pode passar por abrir uma entrada no corrimão de madeira no topo direito da bancada mais à direita do hemiciclo. A ideia partiu do deputado do Partido Ecologista Os Verdes que "já sofreu essa discriminação por demasiado tempo" (na dificuldade de acesso aos lugares que lhe estavam destinados no hemiciclo, entre o PCP e o PS).

Foi consensual a ideia de que o acesso aos lugares pode ser melhorado. O Presidente ficou de falar com o Secretário-Geral do Parlamento, embora sublinhe que "já muito tarde para se fazerem obras no Hemiciclo a tempo do início dos trabalhos parlamentares".

Dança de cadeiras entre PS e PCP e o "enclave do PAN

Mas nem só do CDS surgiram queixas: o PCP registou que, na proposta inicialmente feita, tinha um "enclave" nos seus lugares na quarta fila da Sala das Sessões, porque "só têm acesso pela coxia". Esse problema foi rapidamente resolvido com uma troca de lugares com o PS.

Já André Silva, do partido Pessoas Animais Natureza, constatou que "o enclave do PAN não é resolúvel, pois terão sempre de incomodar e ser incomodados para aceder aos seus lugares no meio do Hemiciclo".

O assunto deverá regressar a debate numa conferência de líderes do novo Parlamento, até porque já se ouviram queixas da Iniciativa Liberal (que pretendia sentar-se entre o PS e o PSD e está colocada entre social-democratas e centristas) e do Chega (porque André Ventura queria um lugar na primeira fila).

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