ACAP preocupada com "incerteza" no setor das matrículas

O novo formato de matrículas pode "vir a contemplar, no caso das chapas destinadas a automóveis, a eliminação da inscrição do ano e mês da primeira matrícula".

O secretário-geral da ACAP - Associação Automóvel de Portugal, Hélder Pedro, disse esta segunda-feira à Lusa que o setor fabricante de matrículas automóveis está preocupado com a "incerteza" relativa à possível mudança de formato das chapas nos carros.

De acordo com as palavras de Hélder Pedro à Lusa, à ACAP já chegou a preocupação com "uma incerteza desse setor pelo facto de ainda não estar definido exatamente qual o momento - depende também do mercado - em que vão mudar as matrículas, e as características das novas matrículas".

Conforme noticiou a Lusa em 03 de janeiro, o novo formato de matrículas, AA-00-AA, pode "vir a contemplar, no caso das chapas destinadas a automóveis, a eliminação da inscrição do ano e mês da primeira matrícula e remoção da correspondente área de cor amarela", de acordo com uma mensagem enviada em outubro pelo IMT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes a agentes do setor.

O dirigente da associação automóvel instou esta segunda-feira o IMT, que regula o transporte rodoviário em Portugal, a agir de forma a evitar problemas neste setor de atividade.

"Não sabemos se faltam dois meses, se faltam três meses ou se é menos para mudar o tema, mas é preciso que o IMT defina rapidamente o tipo de material, a tipologia e a configuração das novas matrículas, para que as empresas atempadamente possam fazer as encomendas dos materiais e para que o setor automóvel não venha a ter qualquer problema", disse à Lusa em conversa telefónica.

O responsável da ACAP considera necessário evitar o "constrangimento de estarem os carros vendidos e não poderem circular porque não há fornecimento da matrícula", algo "que é fundamental para o carro sair do stand".

Questionado pela Lusa se o IMT já se pronunciou sobre o tema, Hélder Pedro disse que "a ACAP mantém regularmente contactos com o IMT, como entidade reguladora do setor", e que tem "o melhor relacionamento" com a instituição.

"Mas, até ao momento, nem nós e penso que ninguém teve indicação clara sobre esta matéria em concreto. Esperamos que aconteça rapidamente", partilhou.

A Lusa contactou o IMT e aguarda uma resposta. A atual série de matrículas encontra-se nas letras ZT, e a partir da letra U faltarão 40 mil matrículas até se dar a mudança de série, disse à Lusa fonte do setor automóvel.

As alterações à regulamentação das matrículas estão relacionadas com a mudança da série 00-AA-00 para AA-00-AA, cuja alteração já foi aprovada em Conselho de Ministros em 19 de setembro de 2019 e reapreciada em 19 de dezembro.

Na mensagem do IMT a que a Lusa teve acesso no início de janeiro, a entidade referiu que ainda não era possível adiantar informação adicional sobre a matéria "até ser conhecida a versão final do diploma por via da respetiva publicação em Diário da República".

Na sequência da incerteza, o regulador dos transportes rodoviários sugeriu aos agentes do setor que "a gestão de 'stocks' de chapas de matrículas destinadas às respetivas tipologias de veículos tenha em consideração o referido cenário".

A passagem para a nova série de matrículas, constituída por dois grupos de letras e outro central de dois algarismos, estava prevista para o final de 2019, mas as vendas do setor automóvel ainda não atingiram o fim da atual série.

Em dezembro de 2018, o instituto adiantou que no futuro passariam a ser utilizadas as letras Y,K e W (que até agora não eram utilizadas), na sequência do Acordo Ortográfico. De acordo com o IMT, a nova série permitirá atribuir cerca de 28 milhões de matrículas.

A primeira matrícula foi registada em 01 de janeiro de 1937 e até 29 de fevereiro de 1992 foi usado o modelo "AA-00-00". A partir de 01 de março de 1992 foi usado o modelo "00-00-AA". Depois desse, começou a utilizar-se a série "00-AA-00", que permanece até hoje.

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