Bastonário acusa Costa de populismo e identifica um médico responsável por Reguengos

Ordem dos Médicos considera declarações do primeiro-ministro inaceitáveis e aconselha presidente da ARS do Alentejo a suspender inscrição de médico.

A Ordem dos Médicos considera inaceitáveis as declarações do primeiro-ministro sobre alegadas recusas de médicos em assistir doentes no lar de Reguengos de Monsaraz.

Referindo que o Estado não se recusou a esforços no apoio a este lar, vítima de um surto de Covid-19 entre junho e julho, António Costa afirmou igualmente, na terça-feira, que foi a recusa dos médicos civis em dar assistência aos idosos que forçou a chamada de médicos das Forças Armadas.

Na resposta, a Ordem fez um comunicado em que considera inaceitáveis as declarações do chefe do Governo.

"Populismo"

À TSF, o bastonário vai mais longe e fala em "populismo", revelando que recebeu centenas de mensagens de médicos que ficaram indignados.

Sublinhando que os médicos foram trabalhar e aquilo que fizeram foi denunciar as péssimas condições que encontraram, Miguel Guimarães acrescenta: "Fazer uma generalização como o primeiro-ministro fez a todos os médicos pode gerar conflitos, é uma situação potencialmente perigosa e que pode ter efeitos perversos que eu espero que não tenha..."

Bastonário identifica um (único) médico responsável

O bastonário diz, contudo, que António Costa fez mal ao atribuir a responsabilidade a médicos, no plural, e não no singular.

Para Miguel Guimarães o responsável por aquilo que aconteceu no lar de Reguengos é o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo.

"Ainda por cima, ele [José Robalo] é médico e como é médico também tem responsabilidade disciplinar perante a Ordem dos Médicos, perante o Conselho Disciplinar da Região Sul da Ordem, que a pessoa não faz e não diz o que quer... Então suspende a inscrição na Ordem, que se calhar é melhor pois não honra aquilo que são os médicos portugueses que salvaram centenas e milhares de vidas nesta pandemia", afirma o bastonário.

Relatório enviado para conselho disciplinar

Miguel Guimarães defende que António Costa "cometeu um erro ao falar na responsabilidade dos médicos, no plural. Devia ter dito que isto é da responsabilidade de um médico e o médico tem nome: chama-se José Robalo e é presidente da ARS do Alentejo".

Acrescentando que o bastonário não tem poder disciplinar na Ordem, tarefa a cargo de um órgão independente, Miguel Guimarães admite, contudo, que na sua visão o presidente da ARS do Alentejo violou o código deontológico, nomeadamente por ter ameaçado os médicos de que iriam sofrer um processo disciplinar se não se mantivessem ao serviço no lar.

O bastonário está aliás convencido que José Robalo arrisca-se a responder perante o conselho disciplinar da Ordem dos Médicos para onde já foi encaminhado o relatório feito por uma Comissão de Inquérito da Ordem sobre aquilo que aconteceu no lar de Reguengos.

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