"Chamada perdida?" Zero pede que líderes mundiais passem "dos anúncios à ação" na cimeira do clima

Francisco Ferreira alerta que se os governos continuarem a assumir objetivos "sem concretizar as metas", a temperatura do planeta vai continuar a subir.

A cimeira do clima, que começou este domingo e decorre até 12 de novembro em Glasgow, corre "um sério risco de falhanço", caso os líderes mundiais não assumam metas ambiciosas para evitar o aumento da temperatura do planeta. A TSF ouviu Francisco Ferreira, presidente associação ambientalista Zero, que pede que "se passe das palavras aos atos".

Os países membros do G20 comprometem-se a conter o aumento da temperatura do planeta em 1,5 graus celsius. Este é o valor que os cientistas consideram o mínimo imprescindível para evitar a catástrofe que resultará de maior subida das temperaturas no mundo.

Francisco Ferreira alerta, no entanto, que se os governos continuarem a assumir objetivos "sem concretizar as metas", a temperatura do planeta vai continuar a subir.

"Há um risco sério de falhanço e há uma grande diferença entre o que se tem vindo anunciar e o que se concretiza. Podemos ficar satisfeitos depois de um fim de semana em que os líderes das 20 maiores economias mundiais disseram que se querem comprometer com esta meta de não ir além de 1,5 graus. Por outro lado, não concretizaram esse objetivo oficialmente nas metas para 2020 e 2050. Têm que acertar o passo e passar dos anúncios gerais à ação", aponta.

Francisco Ferreira diz que esta é uma "década decisiva", e o planeta não pode esperar mais cinco anos para que os líderes mundiais revejam as metas ambientais.

"Se não houver nenhuma novidade, esta última chamada para resolvermos a questão climática é mais uma chamada perdida. Com consequências graves, porque esta revisão das metas é feita a cada cinco anos. Só daqui a cinco anos é que vamos voltar a olhar para estes números, o que é tarde demais", admite.

Os países que constituem o G20 reafirmaram, este domingo, os compromissos já assumidos relativos à mobilização de 100 mil milhões de dólares (cerca de 86,5 mil milhões de euros) para ajudar os países mais afetados pela pandemia e pelas alterações climáticas a relançarem as suas economias.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou este domingo que deixa Roma, onde terminou a cimeira do G20, com "esperanças desapontadas". Durante a semana, Guterres já tinha afirmado que existe um "risco sério" de falhanço na cimeira do clima.

Guterres indicou que há "dúvidas sérias" sobre os compromissos que muitos países continuam sem apresentar e sem os quais se continua a "caminhar para uma catástrofe climática".

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