Chaves mostra balneário onde os romanos tratavam doenças e feridas

Equipamento conserva tanques e sistema hidráulico completamente funcionais. Pode ser visitado, gratuitamente, a partir desta terça-feira.

A partir desta terça-feira é possível visitar, gratuitamente, o Museu das Termas Romanas de Chaves. É o maior balneário da Península Ibérica e um dos maiores da Europa. Terá à volta de 2000 anos e remete para tempos em que os romanos cuidavam da saúde com recurso a águas terapêuticas que brotam do solo a cerca de 70 graus centígrados.

A abertura ao público ocorre 16 anos após ter sido identificado. Foi em 2005, durante obras de escavação para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, no largo do Arrabalde, no centro da cidade de Chaves.

Sem surpresa, o projeto do parque foi abandonado e, imediatamente, iniciaram-se os trabalhos para pôr a descoberto várias piscinas. Duas grandes, sete pequenas e um complexo sistema hidráulico para as abastecer que, ainda hoje, se mantém a funcionar.

"No tempo dos romanos havia uma grande preocupação em manter a mente sã, o que se conseguia através dos balneários terapêuticos", destaca Rui Lopes, arqueólogo municipal. E em Chaves, antiga Aquae Flaviae, teriam grande utilização, nomeadamente para tratar maleitas e feridas de guerra.

Olhando para os tanques bem preservados do museu aberto esta terça-feira, resulta impossível não imaginar cenas de alguns filmes que retratam o período romano. "Porque isto não é uma ruína. É um museu vivo. As piscinas estão preservadas e o sistema hidráulico também. Se quisemos encher os tanques e tomar um banho como há 2000 anos, conseguiríamos fazê-lo", frisa o arqueológo.

Claro que a ideia não é que os visitantes do Museu tomem banho, mesmo que a temperatura da água dos tanques seja de 40 graus. A visita faz-se através de corredores superiores que permitem uma vista ampla sobre o balneário, ao mesmo tempo que é possível obter mais informação através de painéis digitais.

O presidente da Câmara Municipal de Chaves, Nuno Vaz, fala em "joia da coroa" para descrever "uma estrutura que ficou quase congelada" após um terramoto no século IV, que provocou a derrocada do edifício. No entanto, refere o autarca, "originou como que uma cápsula que permitiu que os tanques tivessem ficado com este bom aspeto e que o sistema hidráulico se mantenha ainda funcional".

Nuno Vaz nota que o museu permite conhecer "aspetos singulares do tempo dos romanos", bem como "perceber a importância que a água termal teve para Chaves e o destaque que o lugar teve no Império". Outro exemplo é a Ponte de Trajano, logo ali ao lado. "O conjunto vai, certamente, fazer as delícias dos amantes da cultura e do património", sublinha.

Este complexo termal foi classificado como monumento nacional em 2012. É considerado "o mais importante complexo termal português", sendo apenas comparável, em termos provinciais, ao de Bath, em Inglaterra. Agora passa a ser mais um importante ativo turístico da cidade flaviense.

Para trás ficou o problema de condensação, devido à nascente de água quente, que colocou em causa a abertura do museu. Fazia com que do teto pingasse tanta água que colocaria em perigo o balneário. "A causa foi a solução", realça o presidente da Câmara.

Em colaboração com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a solução passou por construir uma captação de fluído termal com cerca de 70 metros de profundidade. Depois é encaminhado para um permutador de calor que fornece energia a radiadores que emanam temperatura ambiente. Ora, com o aquecimento do edifício mantem-se a temperatura fora do ponto de condensação. A ventilação através de portas obturadoras e saídas de ar na cobertura fazem o resto.

De acordo com Nuno Vaz, em todo o processo, desde que o balneário foi descoberto, já terão sido investidos cerca de "3,5 milhões de euros". O montante vai ainda crescer com a criação de uma cobertura com um jardim.

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