Covid-19 só explica 29% da subida da mortalidade em Portugal face aos últimos cinco anos

Há registo de mais 6312 mortes em 2020 face à média do período homólogo nos anos de 2015 a 2019, com mais de quatro mil a não serem explicadas pela Covid-19. Maior diferença entre o ano atual e os anteriores deu-se em julho.

Morreram mais 6312 pessoas entre 1 de janeiro e 30 de agosto em Portugal, no ano de 2020, face à média das mortes registadas no período homólogo dos cinco anos anteriores (2015 a 2019), mas apenas 1822 tiveram como causa a Covid-19. Os dados constam de um relatório do Instituto Nacional de Estatística, revelado esta sexta-feira, que analisa a mortalidade em Portugal no contexto da pandemia de Covid-19.

Tendo em conta estes dados, a Covid-19 é responsável por 29% (1822 em 6312) do excesso de mortes registadas em Portugal face ao período homólogo dos anos anteriores. Morreram 4490 pessoas sem que a Covid lhes tenha sido associada.

No período pandémico (a primeira morte de uma pessoa com Covid-19 ocorreu a 16 de março), o aumento da mortalidade chegou a um pico na semana 15 do ano (6 a 12 de abril), em que morreram cerca de 2700 pessoas, um número que desce para perto das 2500 se for excluída a Covid-19.

Daí, o número de mortes foi reduzindo até ao final do estado de emergência a 3 de maio. No final desse mesmo mês, na semana 22 do ano (25 a 31 de maio), regista-se um novo pico de mortalidade, com pouco mais de 2300 mortes registadas, número que se aproxima das 2200 sem a Covid-19.

É no meio de julho, na semana de 13 a 19, que se regista a maior diferença entre o número de mortes em 2020 e a média do período homólogo de 2015 a 2019, designada por sobremortalidade: nessa semana, Portugal voltou a aproximar-se das 2700 mortes, um número que representa uma diferença de 800 para a média de mortes dos cinco anos anteriores.

Nessa mesma semana não há, segundo os gráficos apresentados pelo INE, uma diferença significativa entre o número de mortes e o número de mortes de casos de Covid-19. Ainda assim, o instituto lembra que uma vaga de calor assolou o país também em julho.

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