É noite de ceia solitária para milhares de pessoas em isolamento

Na véspera de Natal, a Direção-Geral de Saúde conta que há 91.947 pessoas infetadas com Covid e 118.460 em vigilância, em isolamento profilático, por terem tido contactos de risco. Passam esta noite sozinhos, ligados por videoconferência ou jantam por turnos. Ninguém tem sintomas.

Ricardo Santana vive sozinho em Carnaxide, mas este será o primeiro Natal que passa sem vivalma. Esta noite lembra-lhe outras fases desta mesma pandemia.

Será à porta, do lado de fora, que "a minha mãe vem deixar-me o bacalhau". Mas nem o bacalhau é o mesmo, "em vez de bacalhau com couves, o tradicional, vai trazer-me bacalhau com natas". Assim é mais fácil, é só aquecer no forno e aquecer e até dá para mais vezes, o que dá sempre jeito quando se está sozinho em casa.

O irmão de Ricardo Santana também está infetado. "Decidimos adiar a troca de presentes e vou tentar que esta noite seja uma noite igual a outras, para não sentir tanto", a diferença.

Inês Vieira, em Penafiel, já está a dar em doida, "Não tenho vontade de fazer nada, estou num quarto, a minha irmã está noutro e a minha mãe no dela." Este apartheid doméstico já dura desde dia 10 e pode ir até ao ano novo. Inês vai testar-se outra vez a 29 de dezembro. Logo se verá.

O isolamento desta estudante de enfermagem tem-lhe servido para partilhar angústias nas redes sociais e até já escreveu num jornal local. "Ficamos muito fragilizados, tudo nos deita abaixo. Às vezes basta alguém vir ver-nos à janela para desatarmos a chorar."

A casa de família é, no entanto, grande o suficiente para se fazer a ceia desta noite por turnos, todos sob o mesmo teto, mas desencontrados quando se sentarem à mesa de jantar.

Paulo Baldaia vai mesmo ficar no Alentejo, não dá para passar a noite com a família em Lisboa, nem com os familiares do Porto. "O Natal que tanta vez juntava umas 30 pessoas à mesa fica este ano reduzido a quatro."

Paulo testou positivo, tal como as duas filhas, só escapa, para já, a mulher. "Mais logo, quando tivermos a mesa posta vamos ligar-nos à família de Lisboa e à família do Porto." Um natal virtual até poder ser real.

Para compensar, "vai ser uma noite de muitos mimos, mimos redobrados às filhas".

Nenhuma destas pessoas tem qualquer sintoma, ninguém está realmente doente. Mas não querem ficar, nem causar doença a outros. Estão todos juntos, este Natal.

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