"É uma irresponsabilidade política." Médicos e enfermeiros desmentem Ministério da Saúde

Enquanto médicos e enfermeiros acusam o Ministério da Saúde de ser irresponsável, o secretário de Estado da Saúde garante que "a recuperação da atividade está a acontecer".

Médicos e enfermeiros desmentem o Ministério da Saúde e acusam os titulares da pasta de "irresponsabilidade política". Em causa está a repercussão do desvio de recursos humanos para o processo de vacinação, nos centros de saúde. As classes profissionais têm alertado para problemas de funcionamento nos cuidados de saúde primários.

Em declarações no Fórum TSF desta manhã, Diogo Serras Lopes, secretário de Estado da Saúde, não se reviu neste alerta, desmentindo a existência de falhas.

"A recuperação da atividade está a acontecer", afirmou, reconhecendo que "janeiro foi um mês particularmente difícil, com todo o SNS vocacionado para uma situação de absoluta emergência devido aos casos de Covid-19. Fevereiro ainda foi um mês, de alguma forma, não normal, mas o final de fevereiro e março já demonstra uma clara recuperação da atividade, tanto a nível hospitalar como a nível dos centros de saúde".

Diogo Serra Lopes relembrou, no entanto, que "o reforço de recursos humanos do SNS tem vindo a acontecer e já acontecia antes do Covid".

O secretário de Estado da Saúde referiu também que, em contexto de pandemia, a vacinação é uma prioridade. "A escala desta campanha é uma escala diferente daquilo que é o normal da vacinação e, por isso mesmo, muitos desses sítios foram reforçados com as pessoas que tinham sido contratadas para fazer face à epidemia de Covid", explicou, esclarecendo que "a vacinação Covid é uma forma de evitar uma nova situação de stress sob o SNS e portanto acaba por estar ligada às mesmas funções".

Quanto à falta de recursos humanos relativamente à vacinação, Diogo Serras Lopes admite que "já foram dadas instruções às Administrações Regionais de Saúde e às unidades hospitalares".

Também ouvido no Fórum TSF, Roque da Cunha, dirigente do Sindicato Independente dos Médicos, tem uma visão totalmente oposta e acusa Diogo Serras Lopes e Marta Temido de falta de responsabilidade.

"É uma total irresponsabilidade política a forma como Sr. secretário de Estado e a ministra da Saúde têm lidado com a pandemia", afirmou. Roque da Cunha explicou que "a vacinação não vai acabar em agosto", adiantando que "vão haver segundas doses, vai iniciar-se o período da vacinação da gripe e provavelmente vai ser preciso uma terceira dose".

"Um governo que irresponsavelmente põe toda esta carga junto dos médicos e enfermeiros de família está a contribuir para que haja mais mortes", alertou.

Noel Carrilho, presidente da Federação Nacional dos Médicos, confirmou, no Fórum TSF, a existência de problemas com os recursos humanos, até porque, antes do início da pandemia, os meios já eram escassos.

"Como estamos a falar de vacinar 100.000 utentes por dia não é uma pequena disrupção. Vai condicionar alterações no dia-a-dia destes profissionais e a impossibilidade de o cumprirem", disse, esclarecendo que "é absolutamente necessário que haja um reforço dos recursos humanos no SNS para esta circunstância, de médicos, enfermeiros, administrativos, do que seja necessário, para que se leve a cabo a atividade assistencial que ficou travada pelo motivo do Covid".

Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, reiterou, também no Fórum TSF, as críticas à falta de pessoal nos centros de saúde. "O maior tempo disponível dos enfermeiros tem sido dedicado ao combate à pandemia e agora à vacinação, pelo que a atividade assistencial, ainda que tenha vindo a ser retomada, está aquém daquilo que é necessário", admitiu, exemplificando que há rastreios importantes que não estão a ser realizados.

"É necessário retomar todos os rastreios que ficaram por ser feitos na área dos cuidados de saúde primários, é necessário voltar a fazer todas as consultas assistenciais de enfermagem que são importantíssimas na manutenção da saúde dos portugueses", afirmou.

Do ponto de vista de Guadalupe Simões é também importante que "o processo de vacinação termine para a monitorização daquilo que são as possíveis sequelas de pessoas que tiveram infetadas com Covid-19".

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