Emigrantes têm medo de voltar à terra. Aldeia mais francesa de Portugal com menos visitantes

Por causa da pandemia, este ano, muitos emigrantes não voltaram à terra natal. A TSF passou por Queiriga, em Vila Nova de Paiva, conhecida por ser a aldeia mais francesa do país.

No verão, a população de cerca de 600 habitantes de Queiriga, em Vila Nova de Paiva, quase que quadruplica, mas este ano os filhos da terra deslocaram-se em menor número. Na localidade fala-se numa quebra de cerca de 40 por cento nas visitas dos emigrantes.

"É um verão diferente porque normalmente há sempre gente, aqui há festa, este ano não. As pessoas ficam em casa, quando queremos ver pessoas temos que ficar longe, é complicado", afirma, em jeito de lamento, Rosalina Moreira.

Esta luso-descendente visita Portugal, em média, de dois em dois anos. Com a Covid-19 considera que não há melhor destino do que a terra dos pais.

"Não é o mesmo que na França. Aqui é mais seguro, podemos ir à praia, na França as praias têm muita gente. Aqui é uma aldeia", diz.

Em Queiriga há menos movimento este verão. Segundo Rosalina Moreira, os emigrantes mais velhos tiveram receio de viajar, tanto de carro como de avião.

"Há mais pessoas da minha idade e menos da idade do meu pai. Os jovens aqui têm casa, piscina e menos medo", aponta.

José Domingues, emigrante há 17 anos em França, foi dos que não teve medo. "Nunca pensei em não vir. É sempre chato, mas era quase impensável não vir", refere.

A TSF conversou com este emigrante poucas horas depois de José Domingues ter chegado a território nacional. Fez a viagem de carro e garante que tudo correu bem. Agora só pensa em descansar e tentar fazer umas férias normais.

"A gente em casa dá em maluco, já bem basta quando tivemos confinados lá quinze dias, já foi muita coisa, mas tinha que ser", sustenta.

Com menos gente na rua, em Queiriga os cafés têm menos movimento. Há menos pessoas a entrar e a caixa registadora já viu melhores dias. Nada é comparável aos anos anteriores.

"Ressentimo-nos muito. Eles têm medo de sair [de casa]. É o verão com menos gente, embora alguns estejam cá, mas a maior parte deles não se vê cá fora", adianta Dinis Bastos, proprietário do café Pôr do Sol, que, tal como os emigrantes, só deseja que no próximo ano tudo seja diferente e que a pandemia tenha passado.

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