Freguesia de Calheiros, Ponte de Lima
Ponte de Lima

Freguesia "fértil". Calheiros é terra rica em crianças e jovens

Quando o tema é a baixa taxa de natalidade em Portugal, a paróquia de Calheiros, em Ponte de Lima, fica fora do mapa. É o que afirma o pároco Jorge Ramos, que nos quatro anos anteriores à pandemia celebrou um total de "70 batismos". O sacerdote gosta de dizer, por onde passa, incluindo já o disse na tradicional Mesa dos Quatro Abades, onde se debatem os problemas e projetos das freguesias do concelho, que Calheiros é terra rica em crianças e jovens.

"Calheiros tem uma situação geográfica privilegiada. O Presidente da Câmara ainda há pouco tempo me disse que os terrenos mais caros de Ponte de Lima eram os desta freguesia. E depois é bonita, tem uma vista fantástica e está bem servida em rede viária. Quase todos os que casam fixam-se aqui", explica.

Segundo os registos da paróquia foram celebrados 16 batismos em 2015, 15 no ano seguinte, 14 em 2017, sete em 2018 e 18 em 2019. Por causa da pandemia, foram adiados a maioria dos que estavam programados para 2020.

"Este ano estou cheio de marcações. Há muitos bebés para batizar. Em julho, agosto, setembro e outubro, estou cheio de batismos marcados aos sábados, domingos e até à sexta-feira tenho", afirma o padre Jorge Ramos, referindo: "Pelas minhas contas, entre os que nasceram e as mulheres que estão grávidas, devemos chegar ao final deste ano aí com mais 15 ou 16 crianças." E acrescenta: "A freguesia é grande e dispersa, mas de cabeça contei oito grávidas neste momento. Calheiros é uma paróquia atípica nessa questão."

O número elevado de nascimentos reflete-se nas atividades religiosas daquela freguesia com perto de mil habitantes. "Só para se ter uma ideia, na catequese temos 130 crianças. Acólitos para acolitar à Eucaristia temos cerca de 100 e temos dois grupos de jovens. Esta é uma paróquia bastante jovem. Quem vem aqui à missa ao sábado fica abismado com a quantidade de jovens na igreja", resume o pároco.

Olívia Amorim, de 52 anos, mãe de dois filhos, já é avó de três netos, Guilherme de sete anos, Letícia, com seis, e Leonor, com 20 meses. E vem outro a caminho. Esta avó é um retrato vivo da pujança da natalidade em Calheiros. "Não sei se ficaremos pelos quatro, mas enquanto puder tomar conta deles tudo bem", diz Olivia, comentando que está "muito feliz", com a chegada da próxima neta no final do verão, que será batizada como Vitória. O mesmo nome escolhido por Marlene Valente de 29 anos, para a sua segunda filha que deverá nascer nos próximos dias. "Vou ter uma Íris Vitória. Vitória, porque é uma bênção. Está previsto que nasça no 24 de julho, mas vamos ver. A lua nova é a 10, faço anos no 11, pode ser que nasça antes. Calhava bem", conta a futura mãe, considerando que Calheiros "é fértil". "Neste momento conheço três grávidas, mas sei que existem mais. E há muitas crianças. Só no ano da catequese (segundo) da minha filha são 16. Todas as terras deviam ser como Calheiros", considera.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, foram registados, segundo o local de residência da mãe, um total de 43 nascimentos em Calheiros entre 2015 e 2020. O pároco explica a discrepância com o número de batismo com o facto de "haver crianças que ficam registadas em Monserrate e Santa Maria Maior (Viana do Castelo)", local de nascimento na maternidade do hospital distrital.

No mesmo período nasceram um total de 1718 no concelho de Ponte de Lima.

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